Numa nota publicada hoje no site do jornal "Público
", a direcção editorial do diário da Soanecom afirma que abriu um inquérito interno para perceber como um mail trocado entre um jornalista e um editor foi tornado público.
O inquérito foi aberto depois de na quinta-feira o jornal ter sido contactado pelo Expresso e pelo DN
sobre o caso da vigilância do Governo em Belém.
"Imediatamente após o primeiro contacto para o PÚBLICO, foi aberto um inquérito interno para tentar perceber como pode ter sido desviado um documento que apenas circulara por e-mail, no interior do domínio do PÚBLICO e entre um grupo muito pequeno de pessoas", lê-se no ponto 11 do documento hoje publicado.
O diário de Belmiro de Azevedo adianta ainda que no fim do inquérito decidirá quais os "judiciais ou outros, a adoptar".
Na mesma nota, a direcção editorial desmente qualquer tipo de encomenda da Presidência da República e reafirma que a notícia "Presidência suspeita estar a ser vigiada pelo Governo" foi feita obedecendo "a critérios de rigor comprovados ao longo de quase 20 anos de PÚBLICO."
O jornal esclarece que" tem fontes, mas não são estas que ditam o que sai e quando sai no jornal. Neste caso concreto, o PÚBLICO só publicou a notícia quando, após contacto com suas fontes, um membro da Casa Civil do Presidente assumiu, nessa qualidade, a informação."
Os directores do diário repudiam, assim, a notícia de hoje do DN que afirmava que Belém teria encomendado a notícia em causa ao jornal da Sonaecom. " (...) não podemos deixar de condenar a publicação de um trabalho jornalístico sem qualquer dado novo para além da revelação sensacionalista de uma pretensa fonte do PÚBLICO".
Sem indícios
A administração do Público garantiu não ter indícios que confirmem a violação dos sistemas de informação do jornal.
"Face às notícias e comentários produzidos na comunicação social sobre a possibilidade ter ocorrido um acesso ilegítimo e externo à correspondência electrónica trocada entre jornalistas do Público, o Conselho Geral da Público Comunicação Social, SA, informa que não tem, até à data, o mais pequeno indício que lhe permita confirmar qualquer violação dos seus sistemas de informação", refere um comunicado da Sonaecom enviado à imprensa.