18 de maio de 2013 às 17:29
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PSD: partido sem coração? - análise congresso (I)

João Lemos Esteves (www.expresso.pt)

1.O congresso do PSD adoptou, desta vez, o lema " um partido de causas". Pergunta-se, no entanto, quais são as causas do partido: será a causa social? A causa da igualdade de oportunidades? Da meritocracia? Não: o discurso do PSD - ou, pelo menos, dos seus mais altos responsáveis - resume-se à necessidade de aprofundar a liberalização da economia. É impressionante e chocante constatar que as questões sociais, os problemas concretos dos portugueses, foram completamente ignoradas pelos congressistas do partido social-democrata! O desemprego, o declínio da classe média, o aumento das falências de pequenas e médias empresas, o encarecimento do nível de vida...foram temas pungentes da vida dos portugueses que - embora estejam sempre na berra - meteram férias ou aderiram tardiamente à greve geral da CGTP, pois não passaram pelo Pavilhão Atlântico! Só esta constatação já deveria levar os militantes sociais-democratas a uma reflexão profunda: querem pertencer a um partido liberal (o partido mais à direita em matéria social e económica) do espectro partidário português? Queremos ser o partido do desmantelamento do Estado Social, da intervenção mínima do Estado e da exaltação de mercados (resta saber que mercados!)?

1.1.O PSD sempre teve na sua génese um forte cunho personalista e humanista. Personalista, porque acreditamos que o individuo é dotado de livre arbítrio para tomar as melhores decisões para a sua vida, para colocar a sua força criadora em seu benefício e, consequentemente, em benefício de toda a comunidade. Humanista, porque acreditamos que o indivíduo não deve ser deixado à sua mercê, ao dispor da vontade de alguns mais poderosos (hoje, dos mercados), garantindo-lhe as condições necessárias para se afirmar como ser livre e singular, respeitando a sua dignidade. Tais valores parecem ser estranhos - e muito distantes! - ao PSD actual liderado por Passos Coelho. E isto revela-se logo no tom com que fala aos portugueses: sem coração. Passos Coelho aborda os portugueses como se fosse um gestor a explicar a sua gestão aos accionistas da empresa - racional, técnico, explicativo, frio. Não inspira, nem entusiasma. O primeiro-ministro não acredita em valores, nem tem ideias firmes: apenas tem fé nas empresas, nos empresários e na sua livre iniciativa. Este PSD está feito à sua imagem e semelhança: é um partido sem ideias fortes, sem causas que mobilizem - apenas apoia o governo. Em tudo o que faz e decide - quer tenham mérito, quer sejam a negação do interesse público. O PSD está remetido à mais profunda e degradante irrelevância - que pena! O meu PSD não é este. E duvido que seja o PSD da maioria esmagadora dos militantes sociais-democratas...Só que por vezes o cheiro a poder é mais forte do que o idealismo das convicções. E Passos Coelho garantiu ontem a sua vitória. A vitória da sua equipa: o PSD de Sá Carneiro, de Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa acabou com a alteração do programa do partido. Esperemos que volte um dia...

E o discurso de Passos Coelho?


2. Dito isto, há que reconhecer que o congresso do PSD deste fim-de-semana não interessou rigorosamente nada aos portugueses. Para já, não perceberam por que razão o partido que lidera o governo do país numa situação particularmente complexa, se lembra de reunir-se para falar de umas balelas que inventam para se entreterem - isto foi o sentimento geral dos portugueses que desconhecem os estatutos do PSD. Depois, não houve uma intervenção que merecesse a atenção dos portugueses. Tudo previsível; nada de novo. O primeiro discurso de Passos Coelho foi uma tentativa falhada de marcar a agenda política: ao contrário do que a maioria dos jornalistas afirmou, Passos não pretendeu apenas falar aos congressistas na sexta-feira. Passos quis marcar o congresso com o conceito de "revolução tranquila" e o apelo à resistência histórica dos portugueses. Ora, o conceito de revolução tranquila é infeliz: de facto, podemos falar de revolução porque o governo intenciona acabar com o actual modelo de Estado e partir para outro de cariz liberal. Mas tranquila? Não é nada tranquila: está a ser bastante repentina e bruta! Até porque muitas das medidas foram impostas pelo troika, prevendo-se um calendário bastante curto para a sua execução! Por outro lado, não se trata de uma verdadeira revolução, pois os vícios das relações promíscuas entre o partido e o governo mantêm-se: Miguel Relvas garante a sua subsistência. Amanhã, veremos as três ideias fortes deixadas por Passos Coelho no discurso de encerramento do congresso.

Mail: politicoesfera@gmail.com

Comentários 10 Comentar
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Os lamentos do cronista têm razão de ser, só que pecam por tardios.
Quanto às ideologias os partidos portugueses têm programas muito difusos, que permitem uma governação à vista, ao sabor das circunstâncias. É o que tem acontecido, desde o 25A.

Nas presentes condições, o cumprimento do acordo de empréstimo tem servido de desculpa para impor medidas que agravam as condições de vida dos mais pobres, que destroçam a classe média/baixa, deixando os mais poderosos imunes aos sacrifícios e estendendo-lhes a passadeira vermelha para fazerem os seus negócios, para distribuírem entre si o dinheiro que resta, em vencimentos de escândalo.

A ideia é privatizar o máximo, apoiar empresas que irão fornecer os serviços públicos, mediante acordos, que deixam em aberto a possibilidade da mais descarada promiscuidade.Acresce que as administrações dessas empresas serão um excelente retiro para políticos em pré reforma.

Todas estes assuntos não podem ser ditos num congresso, exercício inútil, mais gastronómico que político, especialmente interessante para arranjar novos contactos, sempre importantes para acrescentar na agenda das "cunhas".

Todo o resto é show-off...........
'PSD: partido sem coração? - análise congresso (I)
Eu não devia comentar este texto: falta-me isenção ou benefício de dúvida para isso. O PSD converteu-se ao neo-liberalismo com este congresso? Abandonou a socia-democracia de tanto senadores do mesmo?

A imagem que tenho do PSD é de um partido que diz o que for necessário para chegar ao poder, e refém de todos os ticks que o proporciona. A sua força é a plasticidade das suas ideias, capaz de pregar a austeridade mais violenta no continente e o Keynesianismo mais "socialista" na Madeira. Não faz sentido para mim o que o João Lemos Esteves diz sobre a perda e ganho de ideologias: o PSD tinha-as e não tinha nenhuma. É um partido com uma enorme força porque nele se reúne em torno da discussão dum projeto de poder, a discussão de várias ideias que na realidade deviam pertencer a diferentes partidos diferentes, em discussão aberta na sociedade, e não dentro do partido. Só que assim, se 20% que acreditarem por exemplo no ultra-liberalismo conquistarem a maioria dum partido que vale 38% e com capacidade para ser a maioria, é como se o poder de voto de cada tendência aumentasse para lá da sua expressão eleitoral... como desistir disso?

Esta é a imagem que o PSD me dá, e penso que o JLE não pode negar que essa é a impressão que ocorre em muitos Portugueses. É um ironia, o velho PPD era mais social-democrata que o atual PSD, e no entanto, o nome PPD era bem mais adequado ao estilo camaleão do atual. Com tudo isto, deixei de perceber o que é a social-democracia. Alguém me explica?
Pôr as contas em ordem ,criar condições de emprego
Passos Coelhoe o PSD,neste Congresso,balizaram a sua acção politica e governativa neste espaço:pôr as contas do País em ordem ,condição sine quo non para riar condições sustentadas de emprego.
Por muto que os comunistas berrem e o Jerónimo mais o Arménio e o Louçã se entretenham ás 5ª feiras a desfilar com meia centena de funcionários em Lisboa, Portugal não tem outra saída senão cumprir os contratos externos, reduzir a despesa superflua ,credibilizar a administração e a partir daí desenvolver e concretizar projectos e planos de emprego, invertyendo a sangria do mundo do trabalho e reduzindo,substancialmente a chaga incontrolada do desemprego.
Foi isso que Passos explicpu no Congresso.Quem não ouviu é porque não quiz ouvir.
Re: Pôr as contas em ordem ,criar condições de emp Ver comentário
PSD partido sem coração analise congresso
Em tempos que já lá vão, um comentador desportivo relatava no decorrer de um jogo entre o Benfica e um outro clube, que não recordo qual o seguinte:- Digam agora que o Michel Preud'homme está velho. Quem tem um guarda redes assim nem precisa de defesa. Desta vez eu quero dizer o mesmo em relação ao cronista. Provavelmente aparecerão por aí alguns velhos a dizer o inverso, mas sem duvida foi feito o retrato do que se passa no PSD. Este País parece ter tomado uma droga colectiva, ou então é mesmo um povo imbecilizado e burro. De estranhar que o que sucedeu ao jornalista Rosa Mendes da RDP e as bastonadas distribuídas aos jornalistas no dia da Greve Geral, não tenham feito despertar estes, ou será que precisam de mais para ver o óbvio. Imagino se por acaso se tivesse passado com Sócrates o que não se diria. Já cheguei a pensar se não estão envergonhados, pelo facto de terem andado com Passos ao colo e por isso não reagem, mas por outro lado não será pois continuam a fazer o mesmo ao governo. A razão deve ser mesmo que quanto mais me bates mais gosto de ti, ou antes vale mais cair em graça do que ser engraçado. Quem não está a encontrar graça nenhuma é o povo e enquanto uns emigram, outros vão vegetando por cá.

http://viriatoapedrada.bl...

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...
UMA EQUIPA DE EXTREMOS DIREITOS ...
Esta equipa ataca sempre pela direita ... usa e abusa de entradas violentas ... à margem da lei ... o adversário (Clube do Povo Aflito) tenta defender a sua baliza ... mas não está fácil ... parece um jogo sem árbitro ... não há cartões ... e com tanta entrada a pés juntos ... já se justificava a amostragem de vários vermelhos directos ...

Passos a distribuir jogo ... mais uma jogada pela direita ... Passos e Relvas trocam a bola ... Relvas cruza ... Gaspar cabeceia e ... goooolooo ... isto é um roubo !!!... Gaspar estava nitidamente em fora de jogo ...
Mais um roubo ... assim é difícil ... o Clube do Povo Aflito ... assim ... não tem hipóteses ...

Re: UMA EQUIPA DE EXTREMOS DIREITOS ... Ver comentário
Se eu fosse crente...

Se eu fosse crente, diria que o PSD é o Partido Social Desalmado.

JLE, investigue só quem "treinou" PPC

"...O primeiro-ministro não acredita em valores, nem tem ideias firmes: apenas tem fé nas empresas, nos empresários e na sua livre iniciativa"

PPC, trabalhador nato que começou tudo na vida aos 40 anos, cheio de iniciativa.

Veja-se o ele tem como escola de empresariado, o que exerceu como funções, ao serviço de Ângelo Correia, empresário nato, que tudo na vida começou para lá dos 40, mercê dos cambalachos do PEDIP a amigos.

Grande empresário liberal, em que mais de 40 das 70 empresas que detém, todas elas dependem totalmente do Estado, sendo este por vezes na maioria delas, o único fornecedor ou o único cliente.

É que este PSD entende que o Estado só é de mais se for para os necessitados, porque para alimentar "empresários liberais", oferecendo-lhes negócios por mera transferência de verbas do Estado, este nunca será suficiente.

O PSD e a social-democracia foram assaltados à semelhança do que aconteceu com a democracia-cristã, porque mais fácil de tomar um partido do que fundar um novo !!
Comentarista da treta
Este comentarista é uma treta de chacha.

Fez um comentário antes do jogo terminar.

Assim, não fala dos golos marcados até ao final.

Paz à sua alma.
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