O dirigente socialista Augusto Santos Silva considerou hoje "gravíssimas" as declarações do presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público sobre alegadas pressões aos procuradores do caso Freeport e desafiou-o a esclarecer publicamente a natureza dessas pressões.
As declarações de Augusto Santos Silva foram proferidas antes do começo do segundo dia de Jornadas Parlamentares do PS, em Guimarães.
Ontem, o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) pediu uma audiência com "carácter de urgência" ao Presidente da República, dois dias depois de ter denunciado novamente pressões sobre os procuradores que investigam o "caso Freeport".
Após os resultados das eleições de sábado no SMMP, em que foi eleito novo presidente desta estrutura sindical, João Palma reafirmou existirem pressões sobre os magistrados envolvidos na investigação do "caso Freeport".
Em reacção a esta posição do presidente do SMMP, o ministro dos Assuntos Parlamentares considerou-a "gravíssima", adiantando que "não podem passar sem consequência".
"O senhor presidente do SMMP tem de dizer quais são as pressões a que se refere, em consistem, sobre quem se exercem e, sobretudo, quem as exerce ou tenta exercer essas pressões. Devemos ter todos o sentido de responsabilidade", advertiu o membro do Governo.
Para Augusto Santos Silva, a palavra "pressão pode ser usada em vários sentidos". "Uma pessoa que tenha um exame importante está sob pressão, mas não é certamente nesse sentido que o sindicato está a usar a palavra pressão. Penso que está a usá-la no sentido de haver uma tentativa de condicionamento ilegítima, ilegal e até de natureza criminal", disse.
Segundo o dirigente socialista, se este sindicato tem conhecimento de "pressões que sejam exercidas por quem quer que seja, então tem o dever de dizer a todos nós quais são essas pressões, quem está a exercê-las e de que forma".