Lisboa, 20 Jun (Lusa) -- O coordenador do programa eleitoral do PS, António Vitorino, desafiou hoje o PSD a assumir o seu programa político e dizer aos portugueses sem medo o que pretende fazer se ganhar as eleições legislativas e formar Governo.
Durante uma sessão do Fórum Novas Fronteiras, em Lisboa, António Vitorino acusou toda a oposição de ter adoptado uma atitude "de puro protesto" e considerou "mais surpreendente e até verdadeiramente preocupante" que isso aconteça por parte de quem está "à direita" do PS e se quer "afirmar como alternativa de Governo".
Segundo o membro do Conselho Coordenador do Fórum Novas Fronteiras, o comportamento dos sociais-democratas resulta de "não terem programa para apresentar aos portugueses" ou então de estarem "a camuflar o que viriam a fazer se eventualmente chegassem ao Governo".
"E daqui vai o desafio: Assumam, digam o que querem, não tenham medo, digam verdadeiramente o que pretendem", declarou.
"Um verdadeiro programa de direita liberal em Portugal faz-nos falta", acrescentou António Vitorino, argumentando que isso permitiria "tornar mais clara a demarcação reformista da esquerda democrática e dos valores" do PS.
No mesmo sentido, antes o secretário-geral do PS, José Sócrates, defendeu que o PS se distingue porque "não é nem deve ser apenas um partido de protesto, que se possa limitar a andar por aí de dedo apontado ou de mão ao peito, a apontar erros e a dizer mal de tudo".
"Em Portugal já há muita gente para isso, há gente até demais", observou, alegando que "o PS não é um partido de protesto, é um partido de projecto".
António Vitorino, por outro lado, referiu na sua intervenção que há quem diga que a governação do PS "abriu demasiadas frentes de combate ao mesmo tempo" e considerou que "a resposta a essas críticas" será dada nas eleições legislativas.
Segundo o ex-ministro da Defesa, reformas como as deste Governo "nem sempre produzem impactos positivos na sociedade no curto espaço de tempo de uma legislatura".
Quanto ao "efeito de estigmatização" de quem foi objecto das reformas, Vitorino sustentou que isso aconteceu "porque em boa medida para essas reformas houve ausência de interlocutores".
O socialista salientou que o PS não aceita "um política de solavancos" que fique "refém de coligações de interesses sectoriais".
IEL.
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