A edição de amanhã do jornal "O Sol" colocou em manchete um artigo intitulado "O polvo", referindo-se às escutas do caso Face Oculta.
Mas, até agora, o oficial de Justiça não conseguiu notificar os jornalistas visados numa providência cautelar, interposta por Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT, confirmou o Expresso.
A providência cautelar quer impedir a publicação, no papel, ou na edição online do jornal, de matéria que envolva, directa ou indirectamente Rui Pedro Soares, alegadamente acusado de ter promovido diligências para a aquisição da estação de televisão TVI pela PT, no caso Face Oculta.
A providência cautelar destina-se ao director, José António Saraiva, e a duas jornalistas, Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo.
Impressão finalizada
De acordo com a explicação de um juiz ouvido pelo Expresso, "a decisão da providência cautelar só entra em vigor quando for feita a notificação", o que ainda não aconteceu. Segundo o mesmo juiz, qualquer outro jornal pode publicar notícias sobre o autor da providência. Se for notificado e mesmo assim publicar a noticia, o jornal "incorre num crime de desobediência", punível com multa.
O Expresso apurou, entretanto, que quando foi feita a primeira diligência judicial, ao fim da manhã, a edição já se encontrava impressa. Dados os compromissos assumidos com a sua divulgação em Angola e, mais recentemente, também em Moçambique, o jornal fecha, o mais tardar, à quinta-feira de manhã.
Confrontado na Assembleia da República com esta ocorrência, Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares, limitou-se a avançar aos jornalistas, afirmar, insistentemente, uma única declaração: "O Governo não interfere com as competências da Justiça".