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Professores de Português pedem decisões "claras"

Docentes acham que a implementação do acordo ortográfico no sistema de ensino deveria acontecer ao mesmo tempo que a entrada em vigor do novo programa de Língua Portuguesa do Ensino Básico.

12:28 Sexta feira, 27 de fevereiro de 2009

A Associação de Professores de Português (APP) pede decisões "claras e definitivas" sobre a implementação do acordo ortográfico no ensino, defendendo a entrada em vigor da nova ortografia em simultâneo com o novo programa de Língua Portuguesa. 

"Quem tem de decidir que decida de uma forma clara, peremptória e definitiva. Há cerca de um ano pedimos esclarecimentos ao Ministério da Educação sobre esta matéria, mas até hoje ainda não nos responderam", lamenta o presidente da APP, Paulo Feytor Pinto. 

O ministro da Cultura anunciou este mês que o acordo ortográfico deverá entrar em vigor ainda durante o primeiro semestre de 2009. Relativamente ao sistema de ensino, o semanário "Sol" adiantou que a sua aplicação deverá arrancar a título experimental num conjunto de escolas. 

Segundo a APP, tudo o que tem vindo a saber-se sobre a implementação da nova ortografia é "sempre excessivamente vago", lamentando, por outro lado, que a associação não tenha sido ouvida sobre esta questão: "Nunca nos pediram a nossa opinião sobre a melhor forma de implementar (o acordo ortográfico). Isso poderia facilitar decisões mais consensuais". 

Para Paulo Feytor Pinto, a implementação do novo acordo ortográfico no sistema de ensino deveria acontecer ao mesmo tempo que a entrada em vigor do novo programa de Língua Portuguesa do Ensino Básico, cuja discussão pública terminou na segunda-feira. 

"Parece-nos muito mais razoável que a nova ortografia entre em vigor quando haja mudança do programa. Tanto quanto sabemos, o ministério quer introduzir o novo programa em 2010/2011, mas publicamente nunca assumiu nem se comprometeu com essa data", lamenta o responsável. 

A associação concorda com a realização de uma experiência piloto num conjunto de estabelecimentos de ensino, já que "nenhum professor português tem a experiência com os seus alunos de mudança de ortografia". "Ninguém em Portugal pode dizer como é que se faz", lembra. 

Paulo Feytor Pinto considera ainda que uma das razões pela qual "é importante decidir depressa" sobre o calendário de implementação prende-se com a questão da formação dos professores: "Se não for decidido de forma clara e definitiva não se consegue planificar nada". 

A agência Lusa contactou o Ministério da Educação para obter mais esclarecimentos sobre o acordo ortográfico, mas não obteve resposta em tempo útil. 

 

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Acordo feito no céu
José Couto Nogueira (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 13:40 | Sexta feira, 27 de fevereiro de 2009
Infelizmente o acordo ortográfico já é lei e portanto seria moroso e complicado desfazê-lo. Mas foi feito no céu (ou no inferno, conforme se considere a natureza dos políticos que o assinaram), muito longe desta terra onde todos nós vivemos. Tenho experiência de trabalhar como jornalsta tanto em Portugal como no Brasil e posso afiançar, garantir e jurar que na prática o acordo não tem qualquer sentido. Poderá ser imposto por lei, poderá até ser enfiado nos currículos escolares, mas dificilmente poderá ser aplicado na prática do dia a dia. Acontece que o português do Brasil é essencialmente dinâmico — recebe dezenas de novos vocábulos anualmente — enquanto o português de Portugal é basicamente "conservador — dificilmente aceita neologismos. Os idiomas, que eram muito próximos no século XIX, tem vindo a afastar-se continuamente. Quase que se poderia falar num idioma brasileiro, muito próximo do nosso, mas já diferente. Não é só os vocábulos, com certeza, também há variações cada vez mais acentuadas na estrutura das frases. Qual é a vantagem desta unificação forçada? Diz-se que são as editoras as principais interessadas, uma vez que poderiam publicar os livros com a mesma grafia nos dois países; mas os brasileiros cultos, isto é, os que lêem, estão à vontade no nosso português, e o inverso também é verdadeiro. Mudar apenas a grafia não muda as variantes. Enfim, um disparate, certamente agravado pela incompetência e desinteresse do M. da Educação, que, como o artigo diz, nada faz
 
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Acordo Ortográfico ou Acordo do Desastre?
Maria Mar (seguir utilizador), 1 ponto , 14:10 | Sexta feira, 27 de fevereiro de 2009
Estamos a 27 de Fevereiro de 2009 e o senhor ministro diz que o acordo tem de estar em vigor no primeiro semestre de 2010. Isso quer dizer que todos os professores deste país vão ter acções de formação sobre as novas regras nos próximos 10 meses??? Há dinheiro para isso e já há formadores para isso? Ou vão ser só os professores que dão português que terão direito a alguma formação sobre as novas regras??? E alguém acredita que os centros de formação de professores têm dinheiro ou estruturas já preparadas para isso? É que,este ano, os centros de formação gastaram o dinheiro todo com acções de formação sobre a famosa avaliação (antes do simplex,portanto a formação que eles deram já está desactualizada! - mas isto é um detalhe) e, neste momento, não há acções de formação nas escolas. Além disso, os professores são obrigados a ter maior parte da formação na sua área específica e, por isso, os centros de formação têm de ter formação em Matemática, Ciências, etc. Têm dinheiro para tudo isto? E têm formadores de qualidade para transformar radicalmente o país inteiro em 10 meses?? Ou os professores são génios e não precisam de formação nenhuma porque sabem tudo sem formação? E depois vamos censurar os professores porque não são tão bons como eram os de antigamente?
E, já agora, nas escolas vamos mudar tudo antes de Setembro (e temos 6 meses para lhes dar formação a todos!) ou vamos começar o ano lectivo e mudar a forma como se escreve em Janeiro?? Há embrulhadas evitáveis...
 
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Outras questões práticas
Maria Mar (seguir utilizador), 1 ponto , 14:18 | Sexta feira, 27 de fevereiro de 2009
É ainda necessário ter em conta que serão preciso novos dicionários e prontuários ortográficos nas bibliotecas das escolas e, portanto, será necessário gastar muito dinheiro para comprar dicionários actualizados (há muitas escolas e vão precisar de mais do que um dicionário por escola..) Sem falar no pequeno pormenor de as Editoras escolares terem de alterar os manuais, gramáticas, livros de exercícios e outro material de apoio. É claro que os alunos podem consultar material escrito com a ortografia desatualizada mas, tendo em conta que estão a aprender, é capaz de não ser boa ideia "reforçar o erro"... É suposto os manuais estarem em vigor durante 6 anos para os livros poderem passar para o irmão mais novo mas, neste caso, e para não confundir ainda mais as coisas, seria boa ideia o aluno ter os manuais com a ortografia actualizada, não acham? O que quer dizer que as editoras têm de saber se há mudanças ou não e quando... E quer dizer que os pais têm de se preparar para substituir o material que os filhos têm em casa... Em altura de crise, é só boas notícias, não vos parece?
 
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PRÓ, ANTI E NEM POR ISSO
Mearoz (seguir utilizador), 1 ponto , 17:22 | Sábado, 28 de fevereiro de 2009
Para apresentar alguns pontos de vista sobre o acordo em curso, vou propor discutir, sob o título acima, os itens I a IV.

I. ONDE ESTAMOS.
Tese: Um acordo é um pacto. Acrescento jocoso: em que ninguém se deve sentir pato.

1. Comecemos por um exercício:

1.1. Escreva nas duas ortografias, usando uma coluna para a ortografia do acordo e outra para a ortografia que, com o acordo, cai em desuso:

a) as duas pronúncias “fato”. Distinga-as de factual, factivo…

b) Repita o mesmo com “pato” (pense, por exemplo, no tal com laranja, que é ó(p)timo), e distinga-o de “pato”, de pactuar.

1.2. O que conclui? Sente-se compelido a... a escrever e dizer pacto?

1.3. Não sentiu o mesmo relativamente a a? Talvez ainda não.

2. E se fizer um outro exercício?
2.1. Neste acordo ortográfico em que uns estão a favor, outros contra, ainda uns indiferentes, quem tem razão?

2.2. Ou fazendo a pergunta de outro modo: há bases para se votar a) numa proposta pró-acordo; ou b) no seu contrário?

2.3. Devíamos perguntar também: a nós interessa-nos que haja acordo? Vai melhorar a) a nossa performance na língua portuguesa; b) o nosso nível educacional e de desenvolvimento no seu todo?

2.4. Se teve dificuldade de responder a estas últimas perguntas (do grupo 2., volte às do grupo 1 e repita com outros exemplos em que tenha necessidade de encontrar as relações entre palavras.

A prática vai a pouco e pouco mostrando que numa sociedade mais esclarecida, em que dedicamos m
 
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cont.
Mearoz (seguir utilizador), 1 ponto , 17:24 | Sábado, 28 de fevereiro de 2009
numa sociedade mais esclarecida, em que dedicamos mais tempo para o exercício sobre o uso que fazemos da nossas línguas, vai haver lugar para, se quisermos, melhorarmos, elevarmos as nossas bases.

II. MUDA O RUMO?
Temos razão para crer que dentro em pouco, uma, duas gerações, as pessoas vão mudar a sua forma de escrever o português e de ler o que escreveram.

O Acordo (sobre o português) pode ajudar. Se todos os que usam a língua portuguesa o quiserem. Quer dizer: com o Acordo, se entrar em vigor, alguma coisa da nossa realidade de lusófonos (tenho de pensar se não é melhor a expressão falantes do português) vai mudar e aí retomamos um novo rumo na promoção da língua portuguesa. Promoção que é também nossa defesa da língua. É um novo rumo – embora sem grande ruptura, pois se insere dentro da linha iniciada há um século, em 1911 – , este de aproximarmos o que dizemos do que escrevemos. Não quer dizer que não houvesse outros. Mas para a frente, que a liderança agora é de quem pode.

Esta, acima, é a perspectiva optimista (vou ter de ler o -p-, claro, se o quiser escrever).

Mas... há um perigo, sim, de que alguns fundamentalistas achem que a sua é que é língua e toca de querer impor a sua língua escrita mal falada.
Portanto, tenho reticências. É que embora esteja em alguns pontos a favor e noutros contra o acordo, tendo de decidir diria que acho prematuro este Acordo tal como é apresentado.

III. UMA CONCLUSÃO… PROVISÓRIA

Há gregos e há troianos, há contentes
 
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concluo
Mearoz (seguir utilizador), 1 ponto , 17:31 | Sábado, 28 de fevereiro de 2009
e descontentes. Há os que nim.
Internautas brasileiros mostram-se indignados com as concessões que, dizem, no actual Acordo Ortográfico o Brasil faz a Portugal. Este último, nesta hora (mal) lembrado, até, como a potência ex-colonizadora. O caso merece estudo, tanto mais que, segundo os defensores do Acordo têm divulgado, a ortografia do Brasil sofre cerca de um quarto de mudanças face à ortografia de Portugal que muda em c.1,7%. Observando caso a caso, detemo-nos(só para exemplificar) sobre as palavras em –eia, que no Brasil eram ortografadas –éia, e passam a ser, como o eram já no padrão europeu, –eia.

Observando a coerência grafia-pronúncia, vê-se que a nova proposta é mais coerente pela razão que passo a explicar. Tanto no Brasil como em Portugal, o ditongo é pronunciado com um valor que nunca é baixo, ou como se costuma dizer “aberto”, pois em Portugal tem sempre um valor médio e no Brasil também. Só se pode concluir que a escrita se tornou mais económica, uma vantagem segundo as correntes mais divulgadas da ciência linguística. Quantas palavras são afectadas pela mudança? Pode-se estimar que não chegando a 0,1% (...), constituem no entanto, das palavras de elevada frequência na língua: ideia, europeia,…

IV. CONCLUSÃO POSSÍVEL
Concessões… Concessões, fazem todos.

Em nome do quê? Da promoção do português a nossa língua ... Será uma mais-valia para as gerações futuras? Se o quisermos.
 
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Um comentário para dois títulos diferentes
estrelapolar (seguir utilizador), 1 ponto , 10:17 | Domingo, 1 de março de 2009
Que o Liberal.com de Cabo Verde tenha publicado um comentário idêntico ou igual a este de "mearoz"ao artigo de Luiz Carlos Amorim - O BRASIL: A REFORMA ORTOGRÁFICA EM VIGOR.
É possível? É.
 
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