A Associação de Professores de Português (APP) pede decisões "claras e definitivas" sobre a implementação do acordo ortográfico no ensino, defendendo a entrada em vigor da nova ortografia em simultâneo com o novo programa de Língua Portuguesa.
"Quem tem de decidir que decida de uma forma clara, peremptória e definitiva. Há cerca de um ano pedimos esclarecimentos ao Ministério da Educação sobre esta matéria, mas até hoje ainda não nos responderam", lamenta o presidente da APP, Paulo Feytor Pinto.
O ministro da Cultura anunciou este mês que o acordo ortográfico deverá entrar em vigor ainda durante o primeiro semestre de 2009. Relativamente ao sistema de ensino, o semanário "Sol" adiantou que a sua aplicação deverá arrancar a título experimental num conjunto de escolas.
Segundo a APP, tudo o que tem vindo a saber-se sobre a implementação da nova ortografia é "sempre excessivamente vago", lamentando, por outro lado, que a associação não tenha sido ouvida sobre esta questão: "Nunca nos pediram a nossa opinião sobre a melhor forma de implementar (o acordo ortográfico). Isso poderia facilitar decisões mais consensuais".
Para Paulo Feytor Pinto, a implementação do novo acordo ortográfico no sistema de ensino deveria acontecer ao mesmo tempo que a entrada em vigor do novo programa de Língua Portuguesa do Ensino Básico, cuja discussão pública terminou na segunda-feira.
"Parece-nos muito mais razoável que a nova ortografia entre em vigor quando haja mudança do programa. Tanto quanto sabemos, o ministério quer introduzir o novo programa em 2010/2011, mas publicamente nunca assumiu nem se comprometeu com essa data", lamenta o responsável.
A associação concorda com a realização de uma experiência piloto num conjunto de estabelecimentos de ensino, já que "nenhum professor português tem a experiência com os seus alunos de mudança de ortografia". "Ninguém em Portugal pode dizer como é que se faz", lembra.
Paulo Feytor Pinto considera ainda que uma das razões pela qual "é importante decidir depressa" sobre o calendário de implementação prende-se com a questão da formação dos professores: "Se não for decidido de forma clara e definitiva não se consegue planificar nada".
A agência Lusa contactou o Ministério da Educação para obter mais esclarecimentos sobre o acordo ortográfico, mas não obteve resposta em tempo útil.