Um movimento de recolha de assinaturas a favor de Carlos Cruz no processo Casa Pia que começou hoje a circular online surgiu de uma professora de Braga cuja "intuição" aponta para a "inocência" daquele apresentador.
A petição dirige-se ao Presidente da República, ao primeiro-ministro e ao ministro da justiça, defendendo a inocência de Carlos Cruz e criticando a justiça portuguesa.
A existência de um movimento de assinaturas a favor da sua inocência foi revelada pelo próprio Carlos Cruz na RTP, quinta-feira durante a Grande Entrevista de Judite de Sousa, referindo que a iniciativa nasceu em Braga.
"Acredito na sua inocência, porque a minha intuição nunca me engana"
Em declarações exclusivas esta tarde ao Expresso, a professora explicou "não conhecer pessoalmente Carlos Cruz", mas "acredito na sua inocência, porque a minha intuição nunca me engana".
Solicitando anonimato, por "ser muito conhecida na cidade de Braga", a professora disse que "só não começou mais cedo porque eu não domino muito bem as ferramentas informáticas".
"Este caso suscitou-me muita curiosidade desde o princípio, mas foi na segunda-feira, quando vi o 'Pós e Contras' na RTP que decidi avançar e tenho o apoio de uma irmã e de amigos nesta iniciativa".
"Estou a enviar e-mails para pessoas que conheço há muito tempo, mais professores, advogados e médicos das minhas relações pessoais, mas este movimento vai alargar-se a nível nacional", salientou este professora, esta tarde entrevistada pelo Expresso em Braga.
"Qualquer pessoa em Portugal está sujeita a ser condenada inocentemente, como aconteceu ao senhor Carlos Cruz", afirmou a mesma professora, que disse "não conhecer pessoalmente" o apresentador.
"Uma minha amiga que conhece bem o processo garantiu-me que o todo o processo foi mal conduzido e a Polícia Judiciária é que orientava os miúdos a dizer que foi o senhor Carlos Cruz e isso indignou-me", disse a professora.
"Indignação" leva a petição pública
A petição online (disponível em www.peticaopublica.com/?pi=T2010N2986
) colocada hoje a circular na internet refere que "após consulta e análise dos factos apresentados no site www.processocarloscruz.com, quer este grupo abaixo-assinado mostrar a sua indignação perante o modo como foi conduzido todo o processo relativo às acusações que foram dirigidas ao Sr. Carlos Cruz".
A indignação está expressa em seis pontos, que começam por criticar as investigações o julgamento do processo Casa Pia, incluindo a não leitura do acórdão, clamando pela inocência do ex-apresentador televisivo.
O texto da subscrição começa por referir "terem sido ocultados/excluídos do processo todos os factos que poderiam constituir prova da sua inocência.
Os signatários lamentam "ter sido julgado culpado apenas por provas testemunhais, cujo depoimento prima pelas contradições e que muito teriam a lucrar com a sua condenação".
Estado da justiça em Portugal é preocupante
Segundo o mesmo grupo, a iniciativa de recolher online as assinaturas foi também "ter sido condenado numa sessão de tribunal na qual nem foi lido o acórdão, nem a sua súmula ser esclarecedora dos motivos da condenação (o que constitui uma ilegalidade!)".
O grupo impulsionado pela professora de Braga salienta "poder um processo inacreditavelmente longo e dispendioso ser tão inconclusivo".
"Este grupo considera preocupante o estado da justiça em Portugal, uma vez que este é exemplo de como um processo mal conduzido pode levar qualquer pessoa inocente a ser condenada", refere ainda a subscrição pública de apoio a Carlos Cruz.
"Como contribuintes deste país julgamo-nos lesados por o nosso dinheiro ser aplicado para financiar uma injustiça", conclui o grupo de bracarenses, que "surgiu espontaneamente", segundo a mesma professora, que afirmou "nunca ter contactado directamente com o sistema da justiça em Portugal".