Lopes da Mota, presidente do Eurojust, é suspeito de ter exercido pressões sobre os magistrados que estão a investigar o caso Freeport, e é o alvo do processo disciplinar aberto pelo Ministério Público, que ainda está na fase de inquérito.
Em declarações à revista Sábado, o Procurador Geral da República Pinto Monteiro confirmou que "durante uma reunião na Procuradoria, os procuradores do inquérito fizeram-me referência que um colega tinha tido uma conversa com eles ao almoço que podia ser interpretada como uma pressão".
Pinto Monteiro reuniu-se ontem na Procuradoria com Cândida Almeida, líder do DCIAP, e os procuradores Vítor Magalhães e Paes Faria, que têm o caso em mãos.
Perante os factos descritos, o PGR decidiu chamar a Portugal Lopes da Mota para amanhã, quarta-feira, o reunir com os procuradores Vítor Magalhães e Paes Faria.
"Quero ver se não se tratou de uma brincadeira estúpida ou se foi algo mais", afirmou Pinto Monteiro à Sábado.
Ao Expresso, a Procuradoria enviou um comunicado, confirmando "que vai haver uma reunião na Procuradoria-Geral da República para esclarecer, espera-se que de vez, se existiu alguma conversa com algum significado especial."
José Luís Lopes da Mota é desde Novembro de 2007 presidente e o representante português no Eurojust.
Foi secretário de Estado da Justiça quando Vera Jardim era ministro, no primeiro Governo de António Guterres, entre 1995 e 1999, tendo sido colega de Executivo de José Sócrates.
O Eurojust é o organismo de cooperação judiciária europeia e foi por aqui que passou a reunião do final do ano passado entre as autoridades portuguesas e britânicas, em que foi decidido reactivar a investigação do caso.