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Processo "Filha Rebelde" chega ao fim

Sentença transitou em julgado e já não há lugar a mais recursos.

Valdemar Cruz (www.expresso.pt)
18:08 Segunda feira, 10 de outubro de 2011

A partir de hoje está em definitivo encerrado o processo "Filha Rebelde", que opôs dois sobrinhos do antigo diretor da PIDE, major Silva Pais, aos responsáveis pela colocação em cena de uma peça com guião feito a partir do livro homónimo da autoria dos jornalistas do Expresso José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz.

Os familiares de Silva Pais não apresentaram qualquer recurso depois de, a 26 de julho, o Tribunal Criminal de Lisboa ter absolvido dos crimes de difamação e ofensa à memória de pessoa falecida, os réus Margarida Fonseca Santos, autora do guião da peça, José Manuel Pires Castanheira, responsável pela cenografia, e Carlos Nogueira Fragateiro, então diretor do Teatro Nacional D. Maria II.

A senteça transitou agora em julgado, pelo que o processo fica encerrado no que aos réus diz respeito. Subsiste apenas a necessidade de o tribunal apreciar o recurso interposto pelos sobrinhos do diretor da PIDE relacionado com as custas do processo.

A atuação de Silva Pais


Na sentença lida em julho, o juiz do 2.º juízo tecia diversas considerações sobre a matéria em julgamento e centrava-se num aspeto muito explorado pela acusação, relacionado com o facto de Silva Pais nunca ter sido condenado pela morte do general Humberto Delgado.

Este era um aspeto crucial, dada a existência na peça, encenada  por Helena Pimenta, uma espanhola com ascendência portuguesa, de uma cena que os familiares do ex-diretor da PIDE consideravam ofensiva para a memória de Silva Pais, por sugerir que o major poderia ter ordenado a morte do general sem medo.

Ora, sublinhava o magistrado, "a existência de uma decisão judicial, decisão que ainda assim, quanto a Silva Pais, sumo rigore, não apreciou a sua responsabilidade criminal, por ter falecido antes da sentença e ter sido declarado extinto, por isso, o procedimento criminal, não poderá pretender travar, fechar ou esvaziar o debate sobre uma questão com evidente relevância histórica".

Crítica pública é um direito


Por outro lado, referia ainda o juiz, "a crítica pública deve ser um direito e não um risco (...) e tanto mais assim quando se está, (e eis que este se afigura um tópico decisivo), perante a colisão da liberdade de criação artística com o direito, não há honra, mas há memória de pessoa falecida - restando saber qual a memória que se pretende salvaguardar, se a da reserva de intimidade privada (...) ou se a memória pública, e assim, quando tais 'memórias' sejam cindíveis, o que, neste caso, em face dos factos apurados se afigura de viabilidade comprometida".

Ou seja, sublinha ainda o tribunal na sentença, "a liberdade - a 'abertura' - quer às manifestações artísticas, quer às 'ciências do espírito' (...), há de, modernamente, receber o benefício da prevalência, quer como 'direito' à manifestação artística, quer como 'direito à história', como aliás (...) fora já invocado nos autos pelo Ministério Público para fundamental o despacho de não acompanhamento da acusação particular".

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Uma Vitória da Liberdade de Expressão
cafra (seguir utilizador), 1 ponto , 18:21 | Segunda feira, 10 de outubro de 2011
Só uma pequena emenda. A encenadora da peça foi a espanhola Helena Pimenta, atualmente diretora do Teatro Clássico de Madrid. O José Manuel Castanheira foi o responsável pela cenografia. De referir a encenação fabulosa da Helena Pimenta.
 
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Um Tribunal ainda mais importante...
FernandoMaria (seguir utilizador), 1 ponto , 18:44 | Segunda feira, 10 de outubro de 2011

É o tribunal da opinião pública, que poderá ajudar o tribunal da História.
Mas este também pode falhar.
Quantas vezes já falhou!...

Por agora só Deus sabe.
Mas nós, só no Juízo Final, para quem acredita, é que saberemos mesmo.

Eu acredito na inocência de Silva Pais e da própria PIDE, no que toca ao assassínio de Delgado.

E sinto que contraí a origação de investigar a outra face da narrativa.
E não devo afrouxar nesta diligência.
 
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Dois pesos e duas medidas?
Borrifador (seguir utilizador), 1 ponto , 9:15 | Terça feira, 11 de outubro de 2011
O que decidiria o tribunal se os familiares de Otelo quisessem proibir uma peça de teatro sobre as FP's 25 no qual aparecesse o Otelo a ordenar o assassinato de um bebé?

A decisão não seria igual à que hoje assistimos!

NOTA: A responsável pela revolução ucraniana que libertou o pais do jugo sangrento comunista vai presa!
Nos países desenvolvidos as coisas funcionam.
 
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