O coordenador do BE afirmou hoje que "ou o Dr. Paulo Portas assina o que não lê ou não se preocupa muito com aquilo que assina", reagindo à sua declaração de que o CDS-PP não tem uma "fúria privatizadora".
Sala cheia na Incrível Almadense, um espaço de tradição para o Bloco de Esquerda, para receber o comício do quinto dia de campanha, onde as primeiras críticas de Francisco Louçã foram para a intenção de Passos Coelho em rever a lei da interrupção voluntária da gravidez, admitindo um novo referendo.
"Não se atreva a direita a fazer joguinhos políticos a partir do desrespeito em relação às pessoas", disse.
Segundo o coordenador do BE "a campanha estava quase vazia" mas "hoje alguma coisa se discutiu", apesar de ser "uma nuvem passageira" que vai logo desaparecer.
Louçã vai ler programa todos os dias
"Paulo Portas veio dizer que estava preocupado - vejam só, não tenho dúvidas nenhumas, preocupação sincera, profunda - com a fúria privatizadora que existe em Portugal", disse o bloquista, ironicamente.
E foi aí que Louçã utilizou o seu iPad para ler aquilo que figura na página 14, no ponto 3.31 "do memorando que Paulo Portas assinou: o Governo acelerará o programa de privatizações".
"Fúria privatizadora. Das duas, uma: ou o Dr. Paulo Portas assina o que não lê ou não se preocupa muito com aquilo que assina", criticou.
Mas o cabeça de lista por Lisboa disse perceber "porque é que a direita e o Governo não querem discutir este programa" e por isso "vai fazer-lhes um favor que é passar a ler todos os dias, sempre que for necessário, um trecho do programa que eles assinaram os três".
"Credo, um bicho!"
"Porque é bom que eles ouçam qualquer coisa e que nós saibamos o que é que eles estão a propor, o que é que querem fazer no dia 6 de junho", sublinhou.
Louçã recordou ainda uma história que ouviu no Alentejo sobre "um velho contrabandista de porcos".
"Ele atravessava a fronteira todas as noites e um dia foi apanhado e perguntaram-lhe: oh meu amigo, o que é que você traz aí no seu carro. Nada, nada. Ouve-se os porcos a chiar e ele abre a porta e diz: Credo, um bicho!", relatou.
E segundo o líder do BE, "é mesmo assim que estão estes políticos. Quando lhe perguntamos pelo programa é "Credo, um bicho!".
"É Credo, um bicho. Não querem responder por esse programa", rematou.