O grupo Prisa recusou-se hoje a comentar o que diz serem "rumores" sobre a eventual compra de uma participação na Media Capital, antecipando para início de Julho um anúncio sobre um acordo audiovisual mais amplo com a Mediapro.
Contactada pela Lusa, fonte oficial da Prisa classificou as várias notícias sobre a Media Capital como "rumores", em referência ao que alguma imprensa tem noticiado ser o interesse manifestado pela Portugal Telecom, pela Telefónica e pela Mediapro.
A mesma fonte confirmou, porém, que "continuam em curso" negociações entre a Prisa e a Mediapro para a criação de um grupo que funde os sectores audiovisuais das duas empresas, adiatando ter sido antecipado para o início de Julho um anúncio das decisões - definidas na semana passada pelo administrador delegado do grupo, Juan Luis Cebrián, como "prometedoras".
A Comissão Nacional de Mercado de Valores (CNMV) espanhola avançou, no início deste mês, que a Prisa/Sogecable e a Imagina (holding que engloba a Mediapro e a Globomedia) estabeleceram um prazo de um mês para subscreverem um acordo de integração mútua que incorpore os seus respectivos negócios audiovisuais numa nova empresa conjunta.
Segundo alguma imprensa essa holding abrangeria a Media Capital, a Digital Plus e a Cuatro (da Prisa) e a estruturas da Globomedia e Mediapro tanto em Espanha como em Portugal.
Os contornos do acordo e os elementos dos grupos abrangidos ainda são desconhecidos e tanto a Prisa como a Mediapro escusam-se a comentar.
A Prisa está actualmente a implementar várias medidas para responder à situação financeira do grupo e ao impacto da crise económica, nomeadamente na queda de publicidade.
Além do eventual corte de 15% dos funcionários e da redução de 8 por cento nos salários, a Prisa continua ainda à procura de sócios para comprar participações minoritárias na Media Capital e no seu sector editorial, a Santillana, bem como de um comprador para a plataforma Digital Plus.
O grupo espanhol debate-se actualmente com uma dívida que supera os 5.000 milhões de euros que, só em 2008, representou um custo de 291 milhões de euros em juros.
Além de suspender a distribuição de dividendos e de negociar um alargamento do seu empréstimo, a Prisa procura alienar activos e encontrar investidores estratégicos, como seja uma participação na Media Capital
Entre os aspectos mais importantes dessa estratégia inclui-se a venda da Digital Plus, a plataforma de televisão paga, avaliada em 2.500 milhões, e uma eventual ampliação de capital de 900 milhões de euros.
A situação da Prisa e os rumores sobre o que acontecerá com o grupo têm suscitado uma grande volatilidade na cotação dos títulos da empresa em bolsa que, em Março, chegaram a cair um euro e que têm vindo a subir desde aí, atingindo hoje os 4,05 euros.
Em 2007 os títulos do grupo chegaram a valer 17 euros.