18 de maio de 2013 às 17:29
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Primeiros-ministros "técnicos" não convencem investidores

Os spreads da dívida dispararam para cinco países da zona euro na segunda-feira. O efeito Mário Monti durou três horas no mercado. Risco de incumprimento subiu nos "periféricos" e em França, Áustria e Bélgica. Bolsas europeias e Wall Street no negativo

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Os investidores não estão ainda convencidos da solução política de nomeação de primeiros-ministros "técnicos", um eufememismo para a escolha de políticos independentes com imagem de "competência" e "rigor".

Essa é a conclusão do primeiro dia - 14 de novembro - depois da crise italiana que levou ao afastamento de Sílvio Berlusconi em Itália.

O dia correu ao contrário do que parecia indicar a nomeação de Lucas Papademos e a indigitação de Mario Monti, dois homens da Comissão Trilateral e muito ligados ao aparato europeu e às exigências colocadas pela Comissão Europeia e o Banco Central Europeu.

Spreads de Áustria, França, Espanha, Bélgica e Itália disparam


O sintoma mais preocupante de que não ocorreu, ainda, uma inversão da situação de desconfiança, foi o disparo, na segunda-feira, do spread (diferença) entre as yields (juros) dos títulos soberanos de cinco países da zona euro e as yields dos Bunds, os títulos alemães, que servem de referência na zona euro.

Os juros dos Bunds tiveram uma quebra brutal, superior a 20% num só dia, particularmente nos títulos a curto prazo, a 2 e a 3 anos. Também, nas maturidades a 5 e a 10 anos houve quebras significativas, mas inferiores.

Num movimento precisamente contrário, os spreads para os títulos austríacos, franceses. espanhóis, belgas e italianos a 10 anos subiram entre 7,8% e 10,5%, variações diárias significativas. As maiores variações ocorreram para os casos austríaco, francês e espanhol.

No caso do spread entre os juros da dívida italiana e da dívida alemã a 10 anos, o valor de fecho voltou a aproximar-se dos 5 pontos percentuais e para o caso de Espanha subiu para uma diferença de 4,33 pontos percentuais.

Itália: Juros da dívida a 10 anos sobem para 6,7%


"O efeito Mario Monti durou apenas três horas esta manhã", concluiu o Linkiesta, um media italiano online. Na verdade, o ex-comissário europeu e presidente da Universidade Bocconi em Milão, ainda não formou governo, mas o seu nome parecia ser suficiente para recriar confiança nos investidores internacionais.

Mas o primeiro balde de agua fria ocorreu logo pela manhã de sgunda-feira. A operação de leilão de dívida a 5 anos pelo Departamento do Tesouro italiano conseguiu os €5 mil milhões pretendidos, mas a uma taxa média de 6,29%, quase 1 ponto percentual acima da do leilão anterior em outubro. Foi um primeiro sinal vermelho dado pelos tomadores desta dívida.

O efeito no mercado secundário da dívida não se fez esperar. As yields (juros da dívida) dos títulos do Tesouro italiano (BTP) subiram em todas as maturidades. Nos BTP a 10 anos, as yields voltaram a subir, depois das quebras de sexta-feira. Subiram de 6,45%, no fecho de sexta-feira, para 6,7% no fecho de hoje, segundo dados da Bloomberg.

Também a probabilidade de incumprimento da dívida italiana num horizonte de cinco anos fechou em alta em relação a sexta-feira passada. O risco de default subiu para 38,43% (quase 2 pontos percentuais acima do fecho de sexta-feira) e o custo dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento) voltou a ultrapassar os 560 pontos base, segundo dados da CMA DataVision. Isso significa que cada seguro contra o risco de incumprimento de um título soberano italiano de 10 milhões de dólares custa anualmente 562 milhares de dólares.

Segundo a Linkiesta, o responsável pela Federação Europeia de Bancos, Christian Clausen, teria recomendado aos bancos europeus continuaram a diminuir a sua exposição à dívida italiana "se não quiserem entrar no remoinho do epicentro da crise".

Espanha: Juros a 10 anos voltam a valores acima de 6%


As yields para as obrigações espanholas a 10 anos voltaram a galgar a barreira dos 6%, e fecharam hoje em 6,11% - não muito longe do máximo de 6,29% atingido em agosto.

Espanha viu também agravado o seu nível de risco, que subiu mais de 2 pontos percentuais em relação a sexta-feira, a seis dias das eleições legislativas antecipadas.

Risco de Bélgica, França e Áustria continua a subir


Segundo dados da Markit, o custo dos credit default swaps para a dívida belga a 5 anos fechou em 320 pontos base, para a dívida francesa em 215 pontos base e para a dívida austríaca em 202 pontos base. O que equivaleu a subidas do risco de incumprimento nos três países.

O diferencial entre o custo de um cds para a dívida francesa e de outro para a dívida alemã é já mais do dobro, o que revela as velocidades bem diferentes entre os dois pilares do atual G2 (Alemanha e França) que governa a zona euro.

Esta degradação do crédito para a França e Áustria coloca na mira de fogo o Fundo Europeu de Estabilização Financeira que conta para a garantia da sua credibilidade com a notação de triplo A de países como os dois referidos, a par da Alemanha.

Grécia: juros não descem


As yields dos títulos gregos continuam a subir em quase todas as maturidades. De destacar a subida dos juros a 5 anos, que atingiram hoje um novo máximo histórico (desde a adesão ao euro) de 40,55% (como comparação, os juros das obrigações do Tesouro estão em 13,56% e os dos Bunds em 0,89%!). O risco de bancarrota permanece no patamar dos 89%.

Apesar da formação do novo governo chefiado por um "técnico", Lucas Papademos, a situação contínua confusa. Apesar do novo governo interino integrar membros do PASOK e da Nova Democracia, esta última sublinha que não está num governo de coligação e que não co-governa. O líder da Nova Democracia, Antonis Samaras, afirmou mesmo, hoje, que não assinará nenhuma carta para Bruxelas nem votará favoravelmente mais novas medidas de austeridade.

"Bons alunos" com risco agravado


O vento negativo atingiu também Portugal e Irlanda. Nem os dois "bons alunos" escaparam.

O risco de incumprimento subiu nos dois países, que fecharam com valores acima dos de sexta-feira. Nos juros, a situação agravou-se no caso dos relativos às obrigações do Tesouro português e aos títulos irlandeses a 3 anos.

Bolsas fecham no negativo


As perdas nas bolsas europeias e em Wall Street influenciaram decisivamente o comportamento dos indicadores mundiais da atividade bolsista global e da negociação das entidades financeiras cotadas.

O índice mundial n segunda-feira caiu 0,7% e o índice relativo ao sector financeiro em bolsa caiu mais, ligeiramente acima de 1%.

Depois de ganhos na sexta-feira passada, com subidas de mais de 2%, o "urso" voltou a atacar nas bolsas logo no começo da semana.

Comentários 6 Comentar
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Diria (onde é que já ouvi isto sobre o mesmo as...
... «não há crise, o PM é que não é credível»

...onde é que já ouvi isto sobre o mesmo cenário?...
São é mais fácil....digo eu....
fazer uma lista do que é convincente para os investidores nos dias de hoje?!?!?

irrrrrraaaa...parecem o puto do anúncio do pão sem côdea!!!
Ainda não é bem isto

A solução é mudar o 1ºministro de 3 em 3 horas.
realidade
Enquanto houver pessoas e empresas a fazer dinheiro com a especulação sobre os titulos da divida publica, nunca nenhuma solução será suficientemente boa...

A unica maneira de evitar isso é regular os mercados, por forma a evitar ou pelo menos controlar o uso abusivo deste tipo de investimentos. Por exemplo, se fosse aplicado um principio em que todas os novos derivados de produtos financeiros teriam de ser aprovados por uma organizaçao com competentencia para tal (não por politicos) da UE antes de serem lançados para o mercado.
OBVIAMENTE QUE NÃO...
...porque o problema não está nas pessoas, está no SISTEMA.
Enquanto não se mudar (repensar) profundamente o sistema financeiro, ou alterar o caminho recessivo (alargamento do prazo negociado com a "troika") e enquanto o Euro for uma ameaca para o Dollar, nada vai mudar.
Cumprimentos
          Z70
Re: Primeiros-ministros "técnicos" não convencem i
Qualquer bicho careta vislumbra que a solução não está em qualquer messias. O sistema é que está em causa. Basta de "barrigar" umas dúzias em detrimento de biliões. A retoma é o socialismo.... O autêntico.
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