Anterior
Vídeos SIC sobre a entrevista do primeiro-ministro
Seguinte
Ricardo Costa sobre a entrevista a José Sócrates
Página Inicial   >  Dossiês  >  Dossies Atualidade  >  Entrevista à RTP primeiro-ministro  >   Primeiro-ministro desvaloriza divergências com Presidente

Entrevista à RTP

Primeiro-ministro desvaloriza divergências com Presidente

José Sócrates garantiu que mantém um "bom relacionamento" com Cavaco Silva e mostrou-se confiante em que a justiça descobrirá e punirá quem usa o seu nome de forma "abusiva e criminosa" no processo Freeport.
|
José Sócrates na entrevista com Judite de Sousa e José Alberto Carvalho
José Sócrates na entrevista com Judite de Sousa e José Alberto Carvalho / Manuel de Almeida/Lusa

Uma hora e cinco minutos de entrevista divididos, quase cientificamente, em três partes iguais: os primeiros 20 dedicados às relações entre o primeiro-ministro e o Presidente da República (que, desde sábado, têm vindo a ocupar boa parte do noticiário político); os segundos versando a crise económica e a estratégia do Governo para a combater; os últimos dominados pelo caso Freeport.

José Sócrates levava um objectivo claro para a conversa com Judite de Sousa e José Alberto Carvalho: tranquilizar a assistência televisiva (que é como quem diz, o eleitorado que lhe dará, ou não, nova maioria nas eleições legislativas daqui a cinco meses). Afiançar-lhe que, pese embora as últimas notícias, não são tensas as relações entre Belém e São Bento. Assegurar-lhe que, apesar da dimensão imprevisível da crise, o plano de combate do Governo está a produzir resultados. Garantir-lhe que, não obstante a história parecer longe do fim, tudo vai acabar bem no processo Freeport, com a justiça a apurar e punir os verdadeiros culpados.

O primeiro-ministro recusou-se a prosseguir a escalada que parecia ter iniciado no sábado quando, no seu discurso nas Novas Fronteiras, se recusou a aceitar as "políticas do recado" - no que foi interpretado como mais não sendo do que um recado para o Presidente da República. Sócrates mostrou-se convicto que Cavaco Silva "não se vai deixar instrumentalizar por nenhuma oposição, não se vai deixar envolver no jogo político", em ano eleitoral. Questionado várias vezes pelos jornalistas, quis objectivamente deixar claro que as palavras do chefe de Estado não lhe causam nenhuma incomodidade: "Tem todo o direito de dizer o que pensa da situação - isso não tem qualquer problema", desdramatizou.

Recusando a ideia de que tenha demorado até realizar a dimensão da crise - "nenhum economista ou instituição, antes do Verão de 2008, tinha ideia de que a recessão iria ter esta dimensão" -, aproveitou o incontornável tema da situação económica para apresentar o seu principal argumento de campanha contra os partidos da oposição neste particular: "Acho um abuso, e até uma certa infantilidade, pretendermos que esta é uma crise portuguesa". Por outras palavras: "O que está a acontecer em Portugal deriva da situação internacional".

E não desperdiçou o tempo de antena em horário nobre: enquanto o deixaram, elencou todas as estatísticas que pôde relativamente aos resultados das medidas do "plano anti-crise do Governo" - um plano "só possível porque tínhamos as contas públicas em ordem". Mais uma vez, a comparação com o que se passa lá fora deu-lhe argumentos para contrariar os que acusam o Governo de não ter conseguido ultrapassar os problemas estruturais portugueses: na Irlanda as previsões de défice apontam para os 10% e as estimativas de recessão para -8%.

Mas foi o aguardado tema Freeport a proporcionar os momentos mais 'quentes' da entrevista, com o primeiro-ministro a sair, por dois ou três momentos, do registo relativamente sereno que conseguira manter nos primeiros quarenta minutos da conversa. Um assunto que lhe tem merecido, reconheceu, silêncio e reserva: "Por respeito pela seriedade da investigação" e por "não querer contribuir para um tema que envenena o nosso espaço político". Mas que hoje decidiu quebrar: "Não posso ficar calado perante uma tentativa de assassinato político que me visa directamente".

Desta vez Sócrates fugiu à expressão "campanha negra", mas as alternativas não foram mais suaves: "Faz-me lembrar os regimes da América Latina em que se organizam processos judiciais contra políticos", afirmou; e ainda "sou vítima de um processo kafkiano". O primeiro-ministro, que garantiu não ter dúvidas das motivações políticas que criaram o processo Freeport - fez questão, aliás, de lembrar como nasceu o processo, em Outubro de 2004, "quinze dias depois de ter sido eleito secretário-geral do PS" -, revelou ter processado Charles Smith por injúria e difamação e mostrou-se esperançoso de que, "mais tarde ou mais cedo", a justiça encontre e puna quem tenha usado o seu nome "abusivamente e de forma criminosa com o objectivo de obter alguma vantagem ilegítima".

Confiante "no bom senso e razoabilidade dos portugueses", disse acreditar que haja elevada participação nas europeias de Junho e que não serão as consequências do Freeport a retirar-lhe a maioria absoluta nas legislativas de Setembro/Outubro. "Não me vencem desta forma", afirmou, acrescentando ainda, em tom de desafio: "Tenho pouco jeito para servir de vítima".


Opinião


Multimédia

Os assassínios, as execuções, as decapitações são as imagens mais chocantes de uma propaganda cada vez mais sofisticada. É a Jihad, que recruta guerrilheiros no ocidente para matar e morrer na Síria. O Expresso seguiu as pisadas de cinco jiadistas portugueses, mostrando quem são e como foram convertidos e radicalizados. E como lutam, como foram morrer - e como já haverá arrependidos com medo de fugir. Reportagem em Londres, no café onde viam jogos de futebol, na universidade onde estudavam e na mesquita onde rezavam. Autoridades e especialistas em terrorismo estão alerta sobre este pequeno mas perigoso grupo, onde corre sangue português - e de onde escorre sangue por Alá.

Desacelerámos a realidade para observar a euforia da liberdade

Ela, Jacarandá, é algarvia. Ele, Katmandu, é espanhol. São linces e agora experimentam a responsabilidade da liberdade: foram soltos esta terça-feira numa herdade alentejana, próxima de Mértola, eles que saíram de centros de reprodução em cativeiro. Foi inédito: nunca tinha acontecido algo assim em Portugal. Estivemos lá e ensaiámos o slow motion.

Geração Z

Mais rápidos, mais capazes, mais solitários, os Z vivem agarrados aos ecrãs, pensam com a ajuda da internet e estão permanentemente preocupados com a bateria do telemóvel. Que geração é esta que nasceu com a viragem do século?

Desaparecidos para sempre no Mar do Norte

O dia 15 de novembro já foi feriado, há 90 anos. A razão foi o desaparecimento de Sacadura Cabral algures no Mar do Norte. Depois de fazer mais de oito mil quilómetros de Lisboa ao Rio de Janeiro, o aviador pioneiro não conseguiu completar o voo entre a cidade holandesa de Amesterdão e a capital portuguesa. Ainda hoje, não se sabe o que aconteceu ao companheiro de Gago Coutinho e tio-avô de Paulo Portas, a quem o Expresso pediu um sms.

Os muros do mundo

Novembro relembrou-nos os muros que caem, mas também os que permanecem e os que se expandem. Berlim aproximou-se de si própria há 25 anos, mas há muros que continuam a desaproximar. Esta é a história de sete deles - diferentes, imprevisíveis, estranhos.

Tudo o que precisa de saber sobre o ébola. Em dois minutos

Porque é que este está a ser o pior surto da história? Como é que os primeiros sintomas se confundem com os de outras doenças? É possível viajar depois de ter contraído o vírus, sem transmitir a doença? E estamos ou não perto de ter uma vacina? O Expresso procurou as respostas a estas e outras dúvidas sobre o ébola.

A última viagem do navio indesejado

Construído nos Estaleiros de Viana e pensado para fazer a ligação entre ilhas nos Açores, o Atlântida foi recusado pelo Governo Regional por alegadamente não atingir a velocidade pretendida. Contando com os custos associados à dissolução do contrato, o prejuízo ascendeu a 70 milhões de euros. Foi agora comprado a "preço de saldo", para mudar de nome e ser reconvertido num cruzeiro na Amazónia. Fizemos a última viagem do Atlântida e vamos mostrar-lhe os segredos do navio.

O papa-medalhas que veio do espaço

O atleta português mais medalhado de sempre, Francisco Vicente, regressou dos campeonatos europeus de veteranos, na Turquia, com novas lembranças ao pescoço. Três de ouro e duas de prata para juntar à coleção. Tem 81 medalhas, uma por cada ano de vida.

Terror religioso está a aumentar

Relatório sobre a Liberdade Religiosa é divulgado esta terça-feira em todo o mundo. Dos 196 países analisados, só em 80 não há indícios de perseguições motivadas pela fé.

Vai pagar mais ou menos IRS? Veja as simulações

Reforma do imposto protege quem tem dependentes a cargo, mas pode penalizar os restantes contribuintes. Função pública e pensionistas vão ter mais dinheiro disponível. Veja simulações para vários casos.

Tem três minutinhos? Vamos explicar-lhe o que muda no orçamento de 350 mil portugueses (e no de muitas empresas)

O novo salário mínimo entrou em vigor. São mais €20 brutos para cerca de 350 mil portugueses (números do Ministério da Segurança Social, porque os sindicatos falam em 500 mil trabalhadores). Mudou o valor, mas também os descontos que as empresas fazem para a Segurança Social. Porque se trata de uma medida que afeta a vida de muitos portugueses, queremos explicar o que se perde e o que se ganha, o que se altera e o que se mantém.

Music fighter: temos Marco Paulo e Bruno Nogueira numa batalha épica

Está preparado para um dos encontros mais improváveis na história da música portuguesa? O humorista Bruno Nogueira e a cantora Manuela Azevedo, dos Clã, pegaram em várias músicas consideradas "pimba" - daquelas que ninguém admite ouvir mas que, no fundo, todos vão dançar assim que começam a tocar - e deram-lhe novos arranjos, num projeto que chegou aos coliseus de Lisboa e do Porto.  "Ninguém, ninguém", de Marco Paulo, tem possivelmente a introdução mais acelerada e frenética do panorama musical português. Mas, no frente-a-frente, quem é o mais rápido? Vai um tira-teimas à antiga?

Dez verdades assustadoras sobre filmes de terror

Este vídeo é como o monstro de "Frankenstein": ganhou vida graças à colagem de partes de alguns dos filmes mais aterrorizantes de sempre. Com uma ratazana mutante e os organizadores do festival de cinema de terror MotelX pelo meio. O Expresso foi à procura das razões que explicam o fascínio pelo terror, com muito sangue (feito de corante alimentar) à mistura. 

A paixão do vinil

Se para muitos o vinil é apenas uma moda que faz parte da cultura do revivalismo vintage, para outros ver o disco girar nunca deixou de ser algo habitual.

Portugal foi herdado, comprado ou conquistado?

Era agosto em Lisboa e, às portas de Alcântara, milhares de homens lutavam por dois reis, participando numa batalha decisiva para os espanhóis e ainda hoje maldita. Aconteceu em agosto de 1580. Mais de 400 anos depois, o Expresso deu-lhe vida, fazendo uma reconstituição do confronto através do recorte e animação digital de uma gravura anónima da época.

O Maradona dos bancos centrais

Dizer que Mario Draghi está a ser uma espécie de Maradona dos bancos centrais pode parecer estranho. Mas não é exagerado. Os jornalistas João Silvestre e Jorge Nascimento Rodrigues explicaram porquê num conjunto de artigos publicado no Expresso em Novembro de 2013 e que venceu em junho deste ano o prémio de jornalismo económico do Santander e da Universidade Nova. O trabalho observa ainda o desempenho de Ben Bernanke no combate à crise, revisita a situação em Portugal e arrisca um ranking dos 25 principais governadores de bancos centrais. Republicamos os artigos num formato especial desenvolvido para a web.


Comentários 4 Comentar
ordenar por:
mais votados
A entrevista a José Sócrates
Não vi a entrevista mas, por aquilo que aqui se diz, José Sócrates fez aquilo que de alguma maneira se esperava dele.

1- pôs um pouco de água fria na polémica com o presidente da república em virtude de o país nada ter a ganhar com as querelas institucionais. Eu, que não sou primeiro ministro, nem tenho nada a ver com a política activa, penso que a "guerra" aberta por Cavaco Silva não faz sentido. Aquilo que ele veio dizer em público, deveria tê-lo dito nas reuniões semanais que mantém com o governo. Da forma como o fez dá o direito de pensar que Cavaco Silva está a fazer um frete ao PSD.

2 -Respondeu pela parte económica que mais preocupa os portugueses, de forma a não criar mais alarmismo. Um primeiro ministro não deve ser um elemento de desestabilização da situação social. Para isso já basta a crise mundial que nos está a afectar grandemente em virtude da nossa economia não ser capaz de produzir aquilo que consumimos.

3- No caso FREEPORT, independentemente de ele ter ou não feito alguma coisa menos transparente, seria bom que a justiça se fizesse célere a fim de evitar aquilo a Guterres em tempos, classificou como um "pântano".
Re: A entrevista a José Sócrates
A quem serviu este disparate ?
Numa entrevista de 60 minutos, dedicar 20 ( um terço ) a analisar as "divergências" com o PR foi um verdadeiro disparate .
E aqui ( há que "chamar os bois pelos nomes") a culpa vai inteirinha para a jornalista Judite de Sousa.
Por mais de uma vez o Primeiro-Ministro pretendeu mudar de assunto ( chegando mesmo a ser indelicado com ela) mas a jornalista insistia em voltar a chamar o Cavaco à colação.
Até parece que o País tem saudades da governação daquele Senhor (considerado por muitos como o principal responsável pelo estado das Finanças) ...
Não estamos num sistema Presidencialista nem o Senhor Cavaco é a Rainha de Inglaterra ou simbolo do que quer que seja ...
Perder um terço do tempo da entrevista a analisar se há ou não divergências entre os dois ... é fazer um frete ao Sócrates, que assim escapou a assuntos muito mais importantes
ISENÇÃO
Lamentável a ideia que as pessoas têm do jornalistas.
Jornalismo não é atacar, fazer politiquice ou oposição (Embora exista que o faça)
Jornalismo sério é investigar, é estudar para poder fazer as perguntas que o cidadão comum gostaria de poder fazer.
Quando acontece o contrário, estão a servir outros interesses...
Comentários 4 Comentar

Últimas

Ver mais

Edição Diária 17.Abr.2014

Leia no seu telemóvel, tablet e computador

PUBLICIDADE

Pub