Depois de uma longa espera, Bob Dylan
chegou finalmente à China. O músico tocou clássicos como "Like a Rolling Stone" ou "Forever Young", no Estádio dos Trabalhadores, em Pequim.
Segundo o diário espanhol El País
, estiveram presentes cerca de 9 mil pessoas, 80% da lotação do recinto. Entre eles, 2 mil representantes do Ministério da Cultura para se certificarem de que não haveria canções ou mensagens inapropriadas sobre o artista Ai Weiwei, detido esta semana
por suspeita de crimes económicos.
Bob Dylan, símbolo da rebeldia dos anos 60, tocou 17 temas num concerto anteriormente aprovado pelo Ministério da Cultura. Famoso pelas suas canções de protesto e de inspiração política, o músico norte-americano não pôde tocar temas como "The Times They Are A-Changin'" ou o hino pacifista "Blowin' in The Wind", para não ir contra o interesse do regime comunista chinês. O promotor do concerto, Jeffrey Wu, ao diário britânico The Telegraph
, referiu que Bob Dylan assinou um contrato com uma cláusula em que prometia "não ferir os sentimentos na população chinesa" durante os seus concertos.
Dylan limitou-se a apresentar os seus músicos, sem nunca conversar com o público nos intervalos entre as canções. Apesar de tudo, o cantor foi bem recebido pelo público, que no final o aplaudiu de pé. No fim do concerto de quase duas horas o músico não pôde dar entrevistas, nem falar com os jornalistas.
Depois de Xangai, o cantor de 69 anos partiu para a cidade vietnamita de Ho Chi Minh.
Já no ano passado Bob Dylan tinha tentado tocar na China, como parte de uma digressão pela Ásia, mas não conseguiu a aprovação do Ministério da Cultura chinês. A restrição da música ocidental na China não é novidade e também os Oasis e os Rolling Stones não conseguiram atuar no país. A primeira banda ocidental a tocar a sua música na China foram os Wham, em 1985, tendo-se seguido nomes como Whitney Houston, Elton John, Deep Purple e, mais recentemente, Shakira, Eric Clapton e os The Eagles.