O presidente do Sindicato de Jornalistas disse hoje no Parlamento que a liberdade de expressão sofre "um conjunto significativo de ameaças" como a precariedade dos vínculos de trabalho dos jornalistas ou a concentração dos media.
"A liberdade de expressão é uma espécie de doente com a respiração contida", disse Alfredo Maia, que está a ser ouvido na comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura sobre liberdade de expressão e um alegado plano do Governo para controlar a comunicação social.
"Há um conjunto significativo de ameaças, que não são de hoje, como o desemprego - no ano passado houve um aumento muito significativo no setor e só no grupo Controlinveste foram cerca de 6 dezenas - ou a composição de salários (no ano passado os jornalistas do Público viram os seus salários reduzidos)", referiu o presidente do Sindicato de Jornalistas.
"No fundo somos todos precários", adiantou, sublinhando que isto "gera mecanismos de censura económica e de censura no seio das próprias redações, como a participação nos conselhos de redação, e envolve muitas vezes a renúncia a direitos fundamentais das pessoas".
Por outro lado, existe um problema da concentração da propriedade dos meios de comunicação social, afirmou Alfredo Maia.
"Hoje, se um jornalista se der mal [num órgão de informação] tem as possibilidades anuladas [de trabalhar] em pelo menos um quinto dos meios, tal é a concentração da propriedade", concluiu.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.
Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.
O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.
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