O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) disse hoje que "o Presidente da República e o Governo andam absolutamente desavindos" por causa dos "sacrifícios brutais impostos a quem trabalha".
"Neste contexto de crise gravíssima, o mais preocupante é a confusão política que se instala. O Governo e o Presidente da República andam absolutamente desavindos, o que dá uma ideia que a falta de equidade provoca também uma questão importante para a democracia", afirmou Francisco Louçã.
Falando aos jornalistas, em Penafiel, quando visitava a feira de S. Martinho, naquela cidade, o coordenador do BE, insistiu que "está a haver uma contradição fortíssima entre o Presidente e o Governo", por terem opiniões diferentes sobre os cortes aos reformados e trabalhadores da administração pública.
"Europa à beira do abismo"
Para Francisco Louçã, "o Governo comporta-se como uma espécie de embaixador da senhora Merkel".
"Isso dá-nos a pior noção do que pode acontecer em Portugal com o desemprego, a austeridade e a crise social", disse, acusando a chanceler alemã e o primeiro-ministro português de "quererem uma política de terra queimada na Europa".
Francisco Louçã considerou também que cada semana que passa põe "a Europa à beira do abismo".
"Eu acredito que a Europa tem estado a criar problemas e a senhora Merkel, que é quem governa a Europa com mão de ferro, já acha que pode impor governos em países como a Itália ou como a Grécia", afirmou aos jornalistas.
"Impedir uma sangria à vida das pessoas"
Sobre o Orçamento do Estado para 2012, Louçã reafirmou que o seu partido vai esforçar-se para "impedir uma sangria à vida das pessoas" que é, disse, "a retirada dos subsídios de férias e de Natal e o aumento do desemprego".
"Vamos exigir à parte do país que nada fez por nós, da gente que vive acima das possibilidades de todos, porque vive da especulação, que têm de pagar, porque é preciso trazer justiça para este país", afirmou, a propósito das medidas de austeridade.
Francisco Louçã, acompanhado do deputado eleito pelo Porto, João Semedo, e de dirigentes locais do BE, percorreu a feira de S. Martinho, onde ouviu muitas queixas dos populares sobre o custo de vida e, sobretudo, do desemprego que afeta a região do Vale do Sousa.
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