Nuno Vasconcelos, o presidente do grupo Ongoing, detentor de uma posição de 25% da Portugal Telecom e segundo maior accionista do grupo Impresa, a seguir a Pinto Balsemão, foi esta tarde à Comissão Parlamentar de Ética sem papas na língua para arrasar os últimos dez anos de gestão do grupo que detém o Expresso, a SIC e a Visão.
"Nos últimos dez anos não houve distribuição de dividendos pelos accionistas, a empresa vale metade do que valia e 75% do valor dos accionistas foi destruído", disse aos deputados, em mais uma audição no pacote das alegadas pressões do Governo sobre a comunicação social, alterando o guião das perguntas que lhe estavam a ser feitas para seguir um longo texto que trazia escrito e que visava directamente o grupo de Balsemão.
Para Nuno Vasconcelos, a situação da Impresa revela "incompetência" e processos de "gestão que não foram feitos criteriosamente". Apesar de se referir diversas vezes ao presidente da Impresa - (sem nunca mencionar o nome de Pinto Balsemão) - como "o príncipe da Comunicação Social", contra-ataca assumindo-se como gestor, mas salientando que "é preciso saber gerir correctamente" até porque o balanço que faz da situação da Impresa é que o grupo está "frrágil, pondo em risco a independência financeira e editorial".
O responsável da Ongoing propôs, em Julho do ano passado, um aumento de capital de 70 milhões de euros a Pinto Balsemão exigindo como contrapartida a tomada de posição executiva no conselho de administração da Impresa. Balsemão rejeitou o projecto "sem ter feito qualquer contra-proposta", disse aos deputados.
Nuno Vasconcelos acusou ainda Pinto Balsemão de ter revelado o conteúdo de conversas privadas e negou ter exigido o afastamento dos filhos do patrão da Impresa da gestão do grupo.
Outro dos alvos atingidos pela audição de Nuno Vasconcelos foi a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), entidade que vetou a compra de uma participação de 35% da TVI sem que a Ongoing vendesse a sua posição na Impresa, alegando conflito de interesses na posse de duas estações de televisão concorrentes.
"Na minha opinião, não é uma posição correcta", disse sobre o comunicado da ERC, alegando que "acabou por mexer no mercado de capitais", desvalorizando as acções da Impresa que a Ongoing pretendia vender e deixando o grupo "numa posição muito delicada". "Houve manipulação do mercado de capitais e a CMVM devia pronunciar-se sobre isso", concluiu.