Presidente da Edifer rejeita adiamento de obras
A presidente da Edifer, Vera Pires Coelho, rejeita o adiamento dos investimentos públicos em Portugal como forma de resolver os problemas económicos do país.
"O problema de Portugal não está nas grandes obras, mas nas reformas estruturais que já há muito tempo deviam ter sido feitas. Andamos todos a dizer isto há muitos anos", afirma.
Quanto à hipótese de ser adiada a construção do troço do TGV Poceirão-Caia, integrado na linha Lisboa-Madrid, diz que é necessário fazer um pacto em Portugal para que se perceba a importância da Alta Velocidade. "Sou completamente contra a paragem do projecto", acrescenta. A Edifer tem 7,6% do consórcio ELOS, a quem foi adjudicada a construção daquele troço e é liderado pela Brisa e pela Soares da Costa. "Há muito espaço de manobra para se reduzir despesas públicas em Portugal. Não podemos passar para a discussão de que 'não há mais investimento'. É completamente surrealista. Há muita política à mistura", acrescenta.
A assinatura do contrato de adjudicação do troço Poceirão-Caia vai acontecer no sábado, pelas 11h, no Ministério das Obras Públicas, em Lisboa, mas o CDS agendou para o dia 28 a apreciação de uma proposta para suspender as obras. No entanto, o Bloco de Esquerda e o PCP admitem opor-se à iniciativa do CDS. Estes dois partidos, com o PS, são suficientes para rejeitar a proposta do CDS que tentará parar a obra.
Vera Pires Coelho refere que, se a obra for travada, terá de haver lugar a uma indemnização pelo Estado às empresas incluídas no consórcio.
Quanto à hipótese de a Edifer concorrer ao novo aeroporto de Lisboa, em Alcochete, a presidente da empresa diz que não consegue posicionar-se sobre este dossiê porque não conhece o modelo do concurso para a construção do aeroporto.
Lucros e negócios crescem
O volume de negócios da Edifer cresceu 0,12% em 2009, passando dos 470 milhões para os 470,6 milhões de euros. Já os lucros passaram dos 6,7 milhões para os 14,4 milhões, num crescimento de 115%, e os resultados operacionais subiram dos 16,2 milhões para os 26,8 milhões. Vera Pires Coelho destaca o facto de em três anos o volume de negócios do grupo ter aumentado 85%.
Quanto aos resultados líquidos, o seu crescimento foi impulsionado pelo aumento dos negócios internacionais na área da construção (nomeadamente em Angola) e pela redução de custos.
O grupo conta com uma carteira global de obras de 1,436 mil milhões de euros. Os negócios estão repartidos entre 35% a nível internacional e 65% a nível nacional, enquanto 42% vêm do sector privado e 58% do público.



