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Presidente da Alemanha demitiu-se
O Presidente alemão, Christian Wulff, ameaçado de perda de imunidade depois de acusações de prevaricações, anunciou hoje a demissão do cargo.
"A confiança dos meus cidadãos está afetada. Por esta razão, não me é mais possível exercer as minhas funções. É por isso que me demito", declarou solenemente Christian Wulff, um conservador que a chanceler Angela Merkel conseguiu eleger dificilmente para a presidência em junho de 2010.
Christian Wulff, para quem o Ministério Público de Hannover, no norte da Alemanha, pediu na quinta-feira o levantamento da imunidade devido a suspeitas de prevaricações, tinha anunciado uma declaração às 11h locais (10h TMG) no castelo de Bellevue, em Berlim.
A chanceler alemã, Angela Merkel, marcou uma declaração para meia hora depois e anulou uma deslocação prevista para hoje a Roma.
A Procuradoria da Alemanha pediu ao Bundestag a suspensão da imunidade do Presidente Christian Wulff para poder processá-lo por corrupção e tráfico de influências. Os jornais alemães dizem hoje que Christian Wulff "está em queda livre". É a primeira vez que um chefe de Estado alemão é formalmente investigado pela justiça.
Christian Wulff, que estava a ser pressionado a demitir-se ou a dar explicações convincentes sobre os seus negócios, falou ao país esta manhã, apresentando a sua demissão. A decisão já era esperada porque Angela Merkel, que esta manhã deveria viajar a Roma para uma reunião com o primeiro-ministro Mario Monti, cancelou a viagem. A chanceler alemã tem sido um dos principais apoios do Presidente desde a eclosão do escândalo.
"Indícios concretos de suborno"
Na petição feita ao Bundestag, a Procuradoria afirma haver "indícios concretos e suficientes" para acusar o Presidente da Alemanha de suborno e tráfico de influências.
O caso remonta a 2007, quando um empresário do mundo do cinema financiou as férias de Christian Wulff numa ilha do Mar do Norte. Wulff era então primeiro-ministro da Baixa Saxónia, cujo Ministério das Finanças avalizou um empréstimo para a empresa de Groenwold enquanto este e Wulff passavam férias de Verão juntos.
O líder parlamentar da Baixa Saxónia, Michael-Brmer, da CDU (partido de Merkel) declarou a um periódico alemão que o Presidente deve "arcar com as consequências" da petição judicial.
Numa manifestação marcada por centenas de sapatos no ar, realizada em Berlim no passado mês de janeiro, os alemães pediram a demissão de Wulff.


Fabrizio Bensch/Reuterw
O Presidente da Alemanha, Christian Wulff, está envolvido em escândalo de corrupção e tráfico de influências
