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Presidenciais 2016

Sampaio da Nóvoa

“O candidato que quer convencer que é quem não é, e não é quem é, mas afinal ele é mesmo o que é”

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Tiago Miranda

A frase é de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, que entrou esta segunda-feira à noite na campanha de Sampaio da Nóvoa em Setúbal, com o ministro Eduardo Cabrita e o soarista Vítor Ramalho

Luísa Meireles

Luísa Meireles

(texto)

Redatora Principal

Tiago Miranda

Tiago Miranda

(fotos)

Fotojornalista

O ataque a Marcelo Rebelo de Sousa foi desferido sem punhos de renda, para as cerca de 200 pessoas que lotavam a sala do cinema Charlot.

Para Ana Catarina Mendes, ele é o candidato que faz como "o gato escondido, mas deixa o rabo de fora", porque quer convencer os portugueses que "afinal é quem não é, e não é quem é, mas afinal ele é mesmo o que é", que "faz vénias à esquerda e sorrisos à direita".

Para Vítor Ramalho, mandatário distrital de Sampaio da Nóvoa, é o regresso, em formato moderno e a cores, das antigas "conversas em família, de um outro Marcelo, padrinho deste". A sua eleição, num tempo de crise como este, é um risco tremendo", afirmou.

E para Eduardo Cabrita, o ministro que aqui veio "como cidadão barreirense", "nada é mais inimigo da democracia do que desvirtuar-se a importância da eleição presidencial, achando que ela estaria à partida resolvida, nem pela televisão, nem pela pseudo-popularidade, nem pela pseudo-manipulação de sondagens".

Quanto a Sampaio da Nóvoa, Marcelo é o candidato da "fast food", disse: "Está embalado com rótulo e publicidade, mas conhece-se mal o que está lá dentro e o pior vem depois, a comida sabe e faz pior e a médio prazo tem mesmo tudo para ser uma desgraça".

Ana Catarina Mendes subiu ao palco para deixar um alerta: "É importante que a esquerda não se engane"

Ana Catarina Mendes subiu ao palco para deixar um alerta: "É importante que a esquerda não se engane"

Tiago Miranda

A primeira volta é da direita, a segunda da esquerda

Mas o comício foi mais do que isso. Foi Ana Catarina Mendes defendendo abertamente que a sua opção é por este candidato, porque "para os socialistas não ē indiferente que um Presidente da República seja de esquerda ou de direita".

Reconhecendo que Marcelo deverá ter, "com toda a probabilidade, mais votos" no próximo domingo, Ana Catarina disse porém que tal não era surpreendente nem "inultrapassável".

"É importante que a esquerda não se engane", afirmou. "Na primeira volta escolhemos o candidato que preferimos e na segunda derrotamos o verdadeiro adversário, o candidato da direita", disse ainda, depois de dizer que cada socialista escolheu o seu candidato, "mas todos escolheram derrotar Marcelo Rebelo de Sousa".

E acrescentou que sendo os democratas e socialistas que estão sempre a falar "em abrir a política aos cidadãos independentes, e fizeram mesmo recentemente primárias, quando deparamos com um exemplo prático disso mesmo, reagimos como se o território fosse invadido".

"Limitar a vida política à vida partidária é não entender o apelo de muitos portugueses", rematou.

A resposta a Maria de Belém

Coube porém a Vítor Ramalho a resposta às acusações de Maria de Belém, que não "sabe o que diz. Um partido é completamente livre de apoiar um candidato e a candidatura é o único órgão de soberania unipessoal, não há outro".

"A senhora dra. Maria de Belém que é minha camarada que eu respeito está a demonstrar a sua própria falibilidade, e debilidade na candidatura", afirmou, referindo-se ao facto de ela considerar que ela é que é a candidata socialista.

Quanto à afirmação de que Almeida Santos seria o maior socialista vivo, respondeu: "o maior socialista vivo é o fundador do partido, que se chama Mário Soares".

O candidato dos quatro D

Sampaio da Nóvoa desta vez, assumiu-se como o candidato que luta contra os 4D: das desigualdades que se cavaram nos últimos anos, do desemprego e de tudo o que há de precariedade e de falta de oportunidades, de despovoamento, "que está a deixar tantas regiões para trás", do desperdício de conhecimento e, finalmente, de um quinto D, "contra o desânimo e o desencanto.