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Presidenciais 2016

Sampaio da Nóvoa

“A Constituição é a causa primeira e última de um Presidente”

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Tiago Miranda

Sampaio da Nóvoa acusa Presidente de não ter cumprido o texto fundamental

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Tiago Miranda

Tiago Miranda

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Fotojornalista

“Novo tempo” continua a ser a palavra-chave de Sampaio da Nóvoa, que hoje à noite não se cansou de o afirmar num jantar comício em Faro: “um tempo onde todos têm uma oportunidade, onde não há portugueses de primeira nem de segunda, em que todos contam”.

Desta vez, porém, não mencionou o candidato Marcelo. Em contrapartida, insistiu em demarcar-se de Cavaco Silva, como já tinha feito de manhã.

“Tivemos 10 anos de um Presidente que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição e não o fez, não queremos mais dez anos de omissão das grandes causas que fazem da Constituição o artigo primeiro da nossa República democrática”, afirmou, para concluir que aquela é “a causa primeira e última de um Presidente”.

O jantar foi o culminar do dia, que começou em Beja, passou por Aljustrel - onde defendeu que o seu programa é a Constituição -, e continuou para o Algarve, em Lagos, Portimão e, por fim, a capital de distrito.

O candidato estava exultante e a sala repleta: 387 lugares - “e mais seriam se a sala o permitisse”, disse um dos organizadores. A informação confirma a convicção do candidato, que haveria de afirmar, depois de enumerar todos os lugares por onde já passou desde há quatro dias, que “se isto não é o país real, as pessoas reais, onde está o país real, as pessoas reais?”

O discurso foi, aliás, todo ele em torno da Constituição, que “dentro de semanas completará 40 anos”, disse. “Ela é o garante que somos todos iguais perante a lei, o suporte de uma sociedade que foi sendo construída com o esforço de milhões de portugueses e que tornaram realidade o que hoje nos parece pequenos nadas”, afirmou.

As bandeiras da esquerda

O candidato enumerou então algumas das bandeiras que são caras à esquerda, a solidariedade entre gerações, entre outras, “que permite que o trabalho do jovem garanta a reforma do pai e do avô, como antes o sacrifício dos seus pais e avós lhe garantiram melhor educação e oportunidades”.

“Não podemos ser uns contra os outros, mas uns com os outros, unir é cumprir a Constituição, temos de unir o que foi fracturado nos últimos anos”, referiu.

“Somos portugueses, somos uma República, juntos, e por isso o discurso da fractura social é tão perigoso”, sublinhou, “porque nos afasta da entidade coletiva que somos”. E repetiu: não é por acaso que as palavras “"livre, justa e solidária” são das primeiras na Constituição.

Foi esta - disse - que moldou a nossa democracia e que, “num país fechado e de gente pobre e remediada, foi possível fundar um Estado onde os cuidados de saúde não dependem da carteira de cada um, ou o direito a uma educação de qualidade não depende do nome do apelido dos pais”.

Esta noite não houve figuras públicas a abrilhantar o jantar, tal como aconteceu na terça-feira com o ministro Capoulas Santos, em Évora. Mas para o jantar de sexta-feira em Matosinhos já está prometida a presença do ministro Augusto Santos Silva.