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Presidenciais 2016

Paulo Morais

Paulo Morais. “Os anos 60 são como os de hoje, só que eram a preto e branco”

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José Caria

O candidato foi ao Panteão Nacional visitar a exposição dedicada ao general Humberto Delgado e assumiu que gostava de seguir-lhe o exemplo. Aproveitou para criticar os Presidentes dos últimos 20 anos, dizendo que têm sido sobretudo “uns corta-fitas”

Paulo Morais chegou atrasado à primeira ação de campanha desta terça-feira e à sua espera tinha mais jornalistas, fotógrafos e operadores de câmara do que gente do seu staff ou apoiantes. Apenas Carlos Martins, um taxista de 56 anos, se deslocou de propósito ao Panteão Nacional para lhe elogiar a "sinceridade e vontade de acabar com a corrupção".

Feitos os cumprimentos, o candidato foi recebido pela diretora do Panteão Nacional Isabel Melo, que o guiou pela exposição "Humberto Delgado - Coragem, Determinação, Reconhecimento", que assinala os 50 anos da sua morte e os 25 anos da trasladação.

À saída, Paulo Morais explicou que foi visitar a exposição para se "inspirar e homenagear" o 'general sem medo'. "É um momento emocionante para qualquer cidadão português, ele teve uma vida muito preenchida mas teve um fim triste, porque lutou pela liberdade. Há um misto de comoção, de inspiração, mas essencialmente de homenagem.", acentuou.

Sem analogias diretas, foi dizendo que Humberto Delgado "soube ousar e dizer não a um estado de coisas que estava muito pantanoso" [expressão que o próprio usa com frequência] e que "fez um grande apelo à coragem e ao combate ao medo". Sendo que, para Paulo Morais, o medo ainda hoje "é uma das piores características da sociedade portuguesa". Por isso, assume: "Eu gostaria de alguma maneira de seguir o seu exemplo".

"Os Presidentes têm sido uns mero corta-fitas"

Aproveitando o contexto da exposição, Paulo Morais falou das semelhanças entre o Portugal de 1958 e o da atualidade, considerando que se na altura "o primeiro-ministro transformava o Presidente da República num mero corta-fitas, que era o que fazia Américo Tomas", ainda hoje, ao fim de 41 anos de democracia "os Presidentes continuam a ter essa função", nomeadamente "nos últimos 20 anos". Apesar do chefe do Estado ter "os poderes de que necessita", os ocupantes do cargo "não têm exercido esses poderes", argumenta, para concluir: "Os anos 60 são como os de hoje, só que eram a preto e branco".

Por fim, questionado sobre a venda da TAP, o candidato portuense recordou que pertence a um movimento que é contra a privatizaçao da companhia aérea portuguesa, mas adiantou que como Presidente da República "não teria permitido que o processo fosse conduzido de forma opaca". Por isso, "exigiria um grande debate público" sobre a matéria, "seguido de um debate parlamentar" e garante que, no final, "promulgava o que o Parlamento decidisse em votação, fosse qual fosse a decisão, concordando ou não com ela".