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Presidenciais 2016

Marisa Matias

Marisa Matias: “Esta é apenas a primeira parte do caminho”

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José Coelho / Lusa

No fecho da campanha, em Coimbra, Marisa Matias disse acreditar na passagem à segunda volta. “Na segunda-feira continuamos”, afirmou, no jantar-comício do Pavilhão dos Olivais, onde estiveram 500 pessoas

“Esta é apenas a primeira parte do caminho. Cá estaremos para mais três semanas”, disse Marisa Matias, logo a abrir a intervenção. Nunca ao longo da campanha, de modo tão explícito, a eurodeputada do Bloco dissera estar tão convicta de passar mais uns tempos longe de Bruxelas.

A fasquia foi colocada pela candidata num ponto mais elevado do que José Manuel Pureza, que falara antes dela, deixara antever. O deputado e vice-presidente do Parlamento, eleito por Coimbra, afirmou que “as sondagens e a rua mostram que a segunda volta é uma possibilidade real”, disse. E virando-se para Marisa: “Foi a tua campanha que abriu ao país essa possibilidade”.

Agora o que Marisa deixou claro é que nessa nova ida às urnas, a 14 de Fevereiro, ela estará presente. “É apenas a segunda parte do caminho. Na segunda-feira continuamos”, disse a candidata.

Contra as aventuras bancárias

Marisa Matias centrou parte do último discurso de campanha, de cerca de um quarto de hora, na fatura que o erário público já pagou pelos buracos do sistema financeiro, “mais de 10 mil milhões de euros só em aventuras bancárias”, nas quais “Portugal não pode continuar a despejar dinheiro”, afirmou.

Neste capítulo, a candidata deu especial atenção o caso Banif, denunciando o facto de ter sido a Comissão Europeia a ditar ao Governo português que devia entregar o banco ao Santander.

O Banif serviu, de resto, para Marisa marcar as diferenças com o Executivo de António Costa. A candidata apoiada pelo Bloco criticou as autoridades portuguesas, que “aceitam tudo”, metendo depois no mesmo saco o Banco de Portugal e o Governo.

Foi uma nota dissonante nos discursos da candidata a Belém sobre o inquilino de São Bento. Ontem e hoje, no quadro de uma tentativa de captar votos de socialistas indecisos, Marisa Matias repetiu que estará ao lado de Costa no braço de ferro com Bruxelas, por causa do Orçamento. Uma disponibilidade que mantém, certamente, mas com exceção do Banif.

Últimas notas

Três notas marcaram o derradeiro comício de Marisa Matias.

O mandatário nacional, António Capelo, ator e encenador, cantou à capela “Utopia”, de Zeca Afonso, momento que fez levantar as bandeiras do pavilhão dos Olivais.

Helena Roseta, que no sábado compareceu no cinema São Jorge, em Lisboa, não voltou a uma ação de campanha, mas foi nesta noite referida por José Manuel Pureza, por ter destacado o que considera uma qualidade da candidata: não entrar em calculismos.

Por fim, o momento que mais terá tocado no nervo sentimental e afetivo do meio milhar de pessoas presentes no pavilhão dos Olivais. O nome de Miguel Portas, o fundador do Bloco já falecido, foi evocado pela primeira num comício desta campanha. Foi José Manuel Pureza quem o lembrou e recordou uma frase de Miguel a respeito de Marisa, quando esta dava os primeiros passos nas lides bloquistas.

“A miúda é excecional”, disse Portas a Pureza. Este, anos volvidos, a dois dias das eleições, afirma: “Não se enganou o Miguel: a miúda é mesmo excecional”.

  • Marisa: com o apoio das mulheres e ao lado do Governo

    Na última feira de campanha, em Vila do Conde, o facto de ser mulher foi talvez o que mais pesou nos apoios espontâneos à candidata. Marisa voltou a estender a mão a Costa, depois de com o outro braço já ter pedido os votos dos socialistas desiludidos com Maria de Belém.