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Presidenciais 2016

Marisa Matias

Marisa quer fora da gaveta leis para garantir igualdade dos surdos

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Nuno Botelho

Candidata iniciou o terceiro dia de campanha para as eleições de 24 de janeiro na Federação Portuguesa das Associações de Surdos

A candidata presidencial apoiada pelo BE, Marisa Matias, manifestou esta terça-feira a determinação de obrigar à aplicação da "legislação avançada" que garante a igualdade dos surdos, mas que acaba por não sair da gaveta.

Para ter uma aula introdutória à Língua Gestual Portuguesa - na qual Marisa Matias se aventurou a soletrar o seu nome -, a comitiva da candidata presidencial começou o terceiro dia de campanha presidencial na Federação Portuguesa das Associações de Surdos, na Amadora, onde quis alertar para as barreiras e problemas que estas pessoas enfrentam em Portugal.

"Até temos uma legislação muito avançada, o problema é não ser posta em prática e continuar a haver discriminação. No exercício de um cargo como Presidente da República é mais do que obrigatório dar voz a quem não a tem e neste caso obrigar a que a lei seja posta em prática", enfatizou.

A candidata apoiada pelo BE considerou, por isso, importante ter-se deslocado à sede da Federação, porque, "normalmente, o que acontece é que os membros destas associações têm sempre de andar atrás das pessoas", e é "uma questão de dignidade o que está em causa e de fazer cumprir os direitos".

"É lamentável que as preocupações que eu ouvi aqui sejam aquelas que tenho ouvido desde há muito tempo", disse aos jornalistas.

A acessibilidade aos conteúdos do debate político nos meios de comunicação, o desinvestimento na aprendizagem da língua e o facto de não haver acesso ao 112 são "direitos básicos que existem na legislação", mas que não estão a ser cumpridos.
O presidente da Federação, Pedro Costa, sublinhou o facto de a legislação deste setor ser muito rica em Portugal, mas estar "na gaveta, ao pó".

"A legislação existe, mas em termos práticos ela não acontece. Em termos da educação, da acessibilidade, dos direitos humanos nós somos, de facto, muito ricos, mas estas questões vão estando na gaveta e funcionalmente não têm acontecido. Pedimos que abram as gavetas, que tirem o pó da legislação e que passem a utilizá-la", apelou, considerando que "o Presidente da República tem muita responsabilidade" nesta matéria.

No final da aula introdutória, os responsáveis pela federação aproveitaram o momento para apelar a que a interpretação em língua gestual nos programas televisivos tenha um espaço maior do que atual quadrado no canto da imagem, sublinhando a necessidade de haver legendagem.

"Os nossos materiais de campanha, não podendo usar, por uma questão de limitações a língua gestual portuguesa, temos legendados todos os materiais. Lamento que nem sempre seja assim e lamento que muitas das vezes os debates não tenham tido língua gestual portuguesa porque isso deixa muita gente de fora", declarou ainda Marisa Matias.