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Presidenciais 2016

Marisa Matias

Marisa defende 35 horas semanais no público e no privado

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Nuno Botelho

Num dia até agora dedicado sobretudo à inovação e à saúde, Marisa Matias afirma que o Estado “deve dar o exemplo” na questão das 35 horas de trabalho por semana, e que a medida deve ser também estendida ao sector público

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

“As 35 horas de trabalho semanal devem ser o caminho tanto no sector público como no privado”, afirmou aos jornalistas candidata presidencial Marisa Matias, no decorrer de uma visita ao Hospital de Santo André, em Leiria, ao final da tarde desta terça-feira.

Na semana em que está em cima da mesa uma greve de sindicatos da Função Pública em defesa das 35 horas para todos os funcionários do Estado, central ou local, independentemente do vínculo, a eurodeputada do Bloco de Esquerda mata dois de uma só cajadada: não só defende aquele horário para todos os funcionários públicos, algo que não está nos planos imediatos do Governo, como diz que as 35 horas devem estender-se aos trabalhadores do sector privado. É que “o Estado deve dar o exemplo”, disse Marisa Matias.

A declaração da candidata presidencial foi feita no decorrer de uma visita ao Hospital de Santo André, em Leiria, uma unidade com acreditação internacional. A distinção é da Joint Comission Internacional, uma entidade norte-americana que certifica hospitais em todo o mundo (em Portugal apenas meia dúzia de estabelecimentos têm tal acreditação).

Foi num bom exemplo de um hospital do Serviço Nacional de Saúde que Marisa Matias comentou o recente relatório do Tribunal de Contas (TC) sobre os serviços partilhados dos hospitais do Estado. No documento hoje divulgado, o TC fala de prejuízos para os contribuintes devidos ao Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (o SUCH, uma central de compras). O referido tribunal apurou uma dívida escondida e um buraco de 36 milhões de euros.

Marisa Matias criticou o “desperdiço, a ineficiência e a falta de transparência”, que resultou na “dívida escondida”. A candidata, ladeada por João Semedo (ex-dirigente do Bloco, médico de profissão), exigiu de seguida um “combate” a essa “prática”, salientando que a ela estão “associados problemas como a corrupção ou a má gestão”.

O futuro é em 3D

Se na visita ao Hospital de Santo André Marisa Matias quis destacar o que há de bom nos serviços públicos, o critério do mérito esteve também presente na escolha do local para a iniciativa anterior, a primeira da tarde no distrito de Leiria.

A candidata visitou o Centro para o Desenvolvimento Rápido e Sustentado de Produto (CDRSP), uma unidade orgânica do Instituto Politécnico de Leiria, situada na zona empresarial da marinha Grande.

Marisa Matias conheceu a atividade de uma centro de ponta, que além da produção de conhecimento científico tem forte ligação ao tecido empresarial, da região e de outros pontos do país.

No CDRSP, um dos três centros de excelência em engenharia mecânica da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Marisa Matias viu como através da impressão 3D se pode construir quase tudo - desde protótipos a usar depois na indústria a moldes temporários para regeneração de tecidos ósseos.

A visita ao centro de investigação levaria mais tarde Marisa Matias a defender o “investimento na inovação” como fundamental (a par do que deve ser feito na saúde).

Legislação não dá ouvidos aos surdos

A jornada da candidata, que vai terminar na noite desta terça-feira com um jantar-comício em Leiria, foi iniciado de manhã na Amadora, numa visita à Federação Portuguesa das Associações de Surdos.

Marisa Matias, o seu “staff” e jornalistas tiveram uma pequena aprendizagem de linguagem gestual portuguesa. E ouviram as queixas dos responsáveis da federação que, através de uma intérprete, lamentaram o facto de em Portugal existir uma legislação que defende as cerca de 81 mil pessoas surdas, mas que “na prática está na gaveta”.

“Precisamos que a tirem de lá e sacudam o pó da gaveta”, disse Pedro Costa, o presidente da federação.

Dois exemplos muito banais ilustram a falta de direitos daqueles cidadãos com deficiência. Se quiserem ligar para o 112, não têm como o fazer. E nas emissões televisivas que têm linguagem gestual o quadradinho onde está o tradutor é tão pequenino que, ao fim de algum, é também a vista que paga. Ao contrário do que acontece em Espanha ou em Inglaterra.

Segundo exemplos mostrados, em pequenos vídeos, o espaço do tradutor no recente debate entre Pedro Sanchez e Mariano Rajoy, antes das eleições legislativas espanholas, ocupava uma terça parte do ecrã da TVE. Além do mais, as intervenções dos dois políticos eram legendadas em tempo real.

Num outro caso exibido, na BBC, é o tradutor que é transposto para a imagem, ocupando quase a mesma dimensão de quem está a falar. Também aqui a legendagem faz parte da emissão.