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Presidenciais 2016

Maria de Belém

Maria de Belém: “Votei a extinção das subvenções vitalícias. Não faço é disso galão”

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LUCILIA MONTEIRO

A candidata encerrou a campanha em Lisboa, perante uma sala quase vazia, dizendo que não cederá “nunca” a “nenhum eleitoralismo” para subir nas sondagens

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

(texto)

Jornalista da secção Política

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

(fotos)

Fotojornalista

Ainda se esperou quase uma hora. Mas o auditório da antiga Feira Internacional de Lisboa não se compôs. Não chegaram a 80, nem a um terço da lotação da sala, as pessoas que responderam ao convite da candidatura de Maria de Belém para se juntarem à candidata na sua última ação de campanha em Lisboa. Três sondagens - incluindo a da Eurosondagem para o Expresso e a SIC - tinham confirmado, durante a tarde, as piores expectativas: Marcelo vencedor à primeira volta, Sampaio da Nóvoa em segundo, a confortável distância de Maria de Belém (esta perigosamente próxima de Marisa Matias). Se a derrota é certa, e a noite chuvosa e com nevoeiro até convida a ficar em casa, para quê sair? - terão pensado os ausentes. Tantos que não passaram, não podiam passar, despercebidos.

A própria o reconheceu. Estavam ali "bastante menos" do que ao almoço, na cervejaria Trindade. "É natural", desvalorizou. O que poderia ter sido uma razão de peso para cancelar a iniciativa não a derreou, ainda assim.

Durante 30 minutos falou sobretudo do tema incómodo destes dias (a controvérsia em torno das subvenções vitalícias atribuídas à classe política) e explicou-se, "completamente decidida a não evitar o que quer que seja para esclarecer": "Desde que eu tive a ousadia de pôr nos meus cartazes que eu era 'uma mulher de caráter' muita gente quis desfazer esse caráter. Não desfazem. Não aceito juízos de caráter de que não cumpro a lei por parte de quem nunca a cumpriu", afirmou. Num ataque sem destinatário identificado mas que todos perceberam destinar-se a Marisa Matias, admitiu que "quem não cumpre as regras dos partidos e da democracia também não saberá cumprir o papel de Presidente da República".

Quis deixar claro: "Tem-se escamoteado que as subvenções já acabaram" (medida tomada por um Governo socialista). E fez notar: "Eu votei a extinção das subvenções - não faço é disso galão". E justificou ainda: "Se me associei (ao pedido de fiscalização da constitucionalidade dos cortes nas subvenções) é porque não concordo com cortes retroativos. Não por sermos políticos mas porque não concordo com a ofensa do princípio da confiança".

Depois repetiu um argumento que já se lhe tinha ouvido ao almoço. "Não concebo que um candidato à Presidência possa vilipendiar um tribunal só porque não concorda com as suas decisões". E deu razão a Vera Jardim, que afirmara que "nem o governo de direita ofendeu o TC dizendo que eram "vergonhosas" as suas decisões".

Sobre o que fez e o que fará em relação a este tema garantiu: "não haverá nunca nenhum eleitoralismo que me faça ceder" e "nunca comprometerei a minha consciência para obter ganhos rápidos e fáceis", mesmo tendo sido "mais fácil" para si dizer que "condeno um regime que já acabou". "Pode haver muitas opiniões, que eu respeito. O que não pode é haver uma opinião hoje e outra amanhã consoante as conveniências eleitorais ou eleitoralistas", disse.

Antes de Maria de Belém, três oradores tinham cumprido com garbo a missão de defender o voto em Belém.

Simonetta Luz Afonso (mandatária distrital) pisou mesmo o risco que separa o otimismo da ilusão ao proclamar a sua crença em que como "Maria de Belém vai ser a próxima Presidente da República".

João Tiago Silveira (diretor do Gabinete de Estudos do PS e coordenador do programa eleitoral socialista), o derradeiro trunfo que a candidatura tirou da manga, condenou o "desporto nacional" de "dizer mal", alertou para o facto de o discurso "anti-política e anti-políticos" ser "uma das maiores ameaças às conquistas dos últimos 40 anos" e vaticinou: "Se nada for feito, abrimos uma avenida para a demagogia e o populismo".

Por fim, José Vera Jardim, porta-voz da candidatura, constatou que "esta campanha não foi fácil", sobretudo nos últimos dias, denunciou "as pessoas que até há poucos meses incensavam as decisões do Tribunal Constitucional agora dizem que a sua decisão ser vergonhosa", confessou-se "boquiaberto" com a intenção anunciada de Sampaio da Nóvoa de tudo ir fazer para acabar com as subvenções vitalícias atribuídas aos antigos Presidentes e chocado com a ressurreição do "pelourinho para todos quantos tiveram a ousadia de exercer um direito e um dever". "Não vale tudo na política", concluiu.