Siga-nos

Perfil

Presidenciais 2016

Maria de Belém

Belém defende que papel de Portugal na NATO deve ser reequacionado

  • 333

LUCILIA MONTEIRO

A candidata presidencial introduziu o tema da política externa portuguesa na sua campanha durante um encontro com diplomatas e embaixadores. Na sequência do desinvestimento na Base das Lajes, Açores, Maria de Belém sublinhou que será necessária “uma reorientação do ponto de vista do seu papel nas relações entre” Portugal e EUA

Lusa

Lusa

Texto

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

Fotos

Fotojornalista

Maria de Belém Roseira disse esta quinta-feira que o papel de Portugal na NATO deve ser "reequacionado" na sequência do desinvestimento na Base das Lajes e tendo em "atenção uma nova dinâmica" nas relações com os Estados Unidos da América.
A antiga presidente do PS e atual candidata à Presidência da República falava num encontro com 19 embaixadores e diplomatas, em Lisboa.

Na ocasião, referiu que, a nível da relação Euro-Atlântica, tem a convicção "forte e firme" da importância "que a NATO tem tido relativamente às Forças Armadas, já que tem permitido um relacionamento e uma capacidade de intervenção no palco internacional que deve ser relevada e que é completamente integrada e inserida numa aceitação de relativa transversalidade, que deve ser assegurada".

"E que, em meu entender, tem de ser reequacionada tendo em atenção um novo papel e uma nova dinâmica relativamente às relações com os Estados Unidos da América (EUA), na sequência da base das Lajes que, como sabem, é o nosso porta-aviões no meio do atlântico e que tem sofrido algumas vicissitudes ao longo destes últimos anos e necessitará de um reencontro e de uma reorientação do ponto de vista do seu papel nas relações entre os países", acrescentou.

Os EUA estão a reduzir os militares que estavam estacionados na Base das Lajes, nos Açores.

Maria de Belém defendeu um papel mais ativo de Portugal e abordou, ainda, a questão dos direitos humanos, considerando que a associação entre "países que implica partilhas de soberania" só "é aceitável se corresponder também à afirmação de alguns valores que têm que ver com a nossa cultura e a nossa forma de estar e de ser".

A antiga ministra frisou que a participação de Portugal em organizações internacionais, como a Organização Mundial do Comércio, "tem que ser muito marcada por estes princípios e valores".

"O estabelecimento de acordos com países de outras regiões do mundo, por parte dos países quer da União Europeia, quer do caso de Portugal nos acordos que estabelece, deve salvaguardar o respeito pelos direitos humanos fundamentais, na medida em que consideramos que, estando nós inseridos no espaço berço dos direitos humanos, deveremos ser nós a ser os cultores desses mesmos princípios e valores e pedagogicamente conseguir que outros países do mundo atinjam os níveis de desenvolvimento humano que nós atingimos", afirmou.

Defendeu ainda que a discussão sobre o tratado Transatlântico entre a Europa e EUA deve ser "mais aprofundada", bem como deveriam ser avaliados os seus impactos e corrigidos "alguns desvios".

"Neste tipo de acordos que se celebram deve haver sempre como objetivo que cada uma das partes seja ganhadora, para que não haja nem reservas nem desconfianças e que haja um patamar de negociação que possibilite corrigir quaisquer impactos perversos que, porventura, daí advêm", acrescentou.

Nesta conversa com diplomatas estrangeiros que estão em Portugal, a candidata falou ainda sobre as comunidades imigrantes portuguesas, que considerou poderem desempenhar o papel de "agentes do aprofundamento das relações entre os países" e destacou, ainda, o "ativo da língua portuguesa".

Maria de Belém introduziu o tema da política externa portuguesa na sua campanha e depois, já com os microfones dos jornalistas desligados, ouviu e deu resposta às perguntas dos embaixadores e diplomatas que estiverem presentes no encontro.