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Presidenciais 2016

Maria de Belém

Jorge Coelho: “Ando um bocado deprimido com a falta que Marcelo me faz ao domingo”

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Lucília Monteiro

O antigo homem-forte do PS foi à campanha de Maria de Belém reapontar as baterias em Marcelo Rebelo de Sousa. “Se tivermos o azar dele ser eleito, não tenham dúvidas que vai arranjar grandes confusões”

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

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Jornalista da secção Política

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

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Fotojornalista

Maria de Belém tem dito que Marcelo Rebelo de Sousa é o seu adversário principal, mas nos últimos dias tem insistido nas críticas a Sampaio da Nóvoa - afinal o seu concorrente mais direto nesta primeira volta. Jorge Coelho, que não dirige a campanha da candidata mas tem influência na estratégia adoptada, aproveitou a sua intervenção, esta noite, num jantar-comício em Viseu, para "calibrar a mira" e voltar a assestar sobre Marcelo as baterias do discurso político da candidatura.

O antigo homem-forte do PS, numa intervenção bem ao seu jeito, "malhou" no candidato com todos os argumentos de que se lembrou. "Que a situação é séria demais" para que as presidenciais fiquem reduzidas ao "autêntico circo" ou ao "concurso de mister simpatia" em que Marcelo as transformou. Que o país precisa de um Presidente da República "que transmita confiança", que tenha "um pensamento estruturado", "maturidade", "experiência" e saiba "resolver as coisas a bem".

Comparando-o com Maria de Belém - "que tem a autoridade moral e ética" de falar em temas como o Serviço Nacional de Saúde ou a violência doméstica porque tem obra feita - apontou-lhe o facto de de não "ter uma única marca de algo que tenha feito para mudar a vida dos mais desfavorecidos". E de prosseguir na campanha sem "dizer ao que vem": "Lembra-me o Groucho Marx, que dizia 'Eis os meus princípios. Mas se não concordarem com eles eu apresento outros'. Isto não pode ser".

Lembrando os debates televisivos (com Belém e com Nóvoa), em que Marcelo se mostrou abespinhado com os adversários, explicou: "Marcelo está habituado há 20 anos a ter conversas sem ninguém pela frente a contestar o que ele diz. Quando tem pessoas pela frente passa-se da cabeça, desgasta-se, reage de forma abrupta. E a seguir quer que a sociedade volte a estar como que anestesiada - com Valium fraco, porque se for forte adormece no dia das eleições. Está a tentar voltar à época de comentador".

Por diversas vezes Coelho arrancou gargalhadas às duas centenas de pessoas na assistência, como quando confessou que "se houvesse um concurso para rei dos comentadores televisivos, votava nele (Marcelo)" e que era verdadeiramente obcecado por ouvi-lo nos domingos à noite: "Ando até um bocado deprimido com a falta que ele me faz".

Ou quando disse, a propósito da deslocação do candidato à Madeira, onde teve todo o PSD (Alberto João Jardim incluído) e o CDS ao seu lado: "Marcelo (na sua relação com os partidos que o apoiam) é como aqueles casais que, quando as coisas não estão a correr bem, decidem fazer umas férias conjugais mas de vez em quando há um desvio. A Madeira foi um desvio". "Ficou claro que ele é o candidato da direita, como é evidente", sublinhou.

As férias conjugais, prosseguiu na metáfora, às vezes correm bem. E entre Marcelo e a direita Coelho não tem dúvidas que eles vão voltar a aproximar-se, mais cedo do que tarde: "Se tivermos o azar dele ser eleito não tenham dúvidas que vai arranjar grandes confusões. É a grande marca que ele tem".