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Presidenciais 2016

Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo acha que o voto está decidido

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José Carlos Carvalho

Faltam 10 dias de campanha, Marcelo joga na proximidade, mas diz “ter uma teoria”: “A 10 dias [das eleições], já ninguém muda de voto. Isto não caça voto nenhum”

Ângela Silva

Ângela Silva

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Jornalista

José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

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Fotojornalista

"Janeiro é sempre um mês muito mau." Marcelo começou o dia na baixa de Portalegre, ouviu os comerciantes queixarem-se e confessa que, também na caça ao voto, não espera um mês surpreendente. "As pessoas já têm o voto na cabeça."

"Eu tenho esta teoria. À distância de 9, 10 dias, já ninguém muda de voto." E então para que serve a campanha? Marcelo acha "muito importante esta proximidade das pessoas", mas diz que "isto não caça votos nenhuns". Aparentemente, está desejoso que a campanha acabe.

Convicto de que "isto está bem encaminhado" para o seu lado - tem dito todos os dias que espera ganhar à primeira volta, e diz estar a “confirmar que há um relacionamento natural, simpático e caloroso praticamente sem exceção” - o candidato segue em frente no registo do costume: afeto, simpatia, pouca gente, ele e quase só ele, e muito contacto pessoal a pensar no ecrã da TV.

A arruada em Portalegre foi assim. Marcelo mete o nariz em todo o lado e mete conversa com quem está, desde a loja de roupa - "ainda levo uma t-shirt para o neto. 25 euros? Não, não dá" - ao cabeleireiro - "olá, minha querida, isto a partir de uma certa idade são todas louras ou ruivas" -, sem esquecer a funerária - "então, tem morrido muita gente?". A sua predileção são as farmácias - Marcelo é hipocondríaco -, onde entra sempre com notório entusiasmo.

“Que novidades é que tem ao nível do Omeprazol? É a minha área de especialidade. Em Belém, em princípio, a pessoa tem de ter estômago para quase tudo”. Dentro da farmácia de Portalegre o candidato esteve mais de 15 minutos à conversa.

O ponto alto de cada dia é, no entanto, a visita de cariz social - o candidato assume a aposta na economia social, talvez dos poucos pontos em que está com a direita e distante do PS - e em Portalegre Marcelo esteve hora e meia na Misericórdia com idosos.

"Onde é que ele está?" Estava na lavandaria a engomar umas calças. Com estilo. Antes de partir para a Madeira - absolutamente sozinho -, o candidato conseguiu passar mais um dia sem se comprometer com posições políticas concretas.

Acha bem que o Governo adie as 35 horas semanais para o verão? "Eu acho que se vai chegar a acordo." Marcelo percebe o aperto de António Costa: "Tem que fazer contas à vida antes de fazer o Orçamento e se não quer derrapar".

O candidato acha "bom" que o Governo socialista não derrape por aí além - "os 3% já estavam previstos e ainda pode subir um pouco por causa do Banif" -, mas deixa a indireta: "É a utopia moderada pela realidade". De partida para o Funchal, Marcelo diz não ter previsto nenhum encontro com Alberto João Jardim, um dos primeiros apoios que recebeu do PSD.

José Carlos Carvalho

  • Marcelo com o olho na esquerda: "No fundo, isto é uma campanha à Soares"

    São parecidos na extroversão. Jogam ambos ao centro. E Marcelo revê-se mais nele do que em Freitas do Amaral que, em 86,deixou a clivagem ideológica entrar na campanha e perdeu. Nada disso. Marcelo troca a ideologia pelo afeto. E confia ganhar à 1ª. O PSD, discreto nos bastidores, nunca viu nada assim