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Presidenciais 2016

Edgar Silva

Edgar ataca Marcelo: “Só no fascismo as eleições estavam decididas à partida”

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Marcos Borga

Nas hostes comunistas, cresce a esperança de uma segunda volta. O alvo de Edgar Silva é Marcelo Rebelo de Sousa, que acusa de “estar nervoso e inseguro” porque “está a sentir que o terreno começa a fugir-lhe debaixo dos pés”

Um dia de campanha, que foi longo e variado. Começou na Cova da Moura, passou pela Casa do Alentejo, foi à Graça e ao Dafundo, para acabar num comício em Odivelas. O candidato está contente com "a jornada lindíssima" que acabou de ter e até acha que a sua corrida presidencial "pode ser uma candidatura de massas" porque consegue "mobilizar as pessoas".

É um facto que, nas ruas, o candidato passa bem. Habituado ao contacto directo ao longo dos anos de sacerdócio e de política no Funchal, consegue recolher simpatias no porta-a-porta e nas arruadas marcadas na agenda da campanha. Mas fala igualmente bem para salas de reformados ou jantares de militantes.

O tom direto e o discurso fluente funcionam. Mas, o candidato sabe que está a falar para quem já está convencido, para o velhos militantes comunistas que não faltam nunca à chamada. Por isso, não perde uma oportunidade para dizer que "não basta que nos dêem razão" ou que lhe reconheçam a "simpatia" e por isso é preciso que "os de sempre, os insubstituíveis" angariem votos e vão mesmo até as mesas de voto no próximo dia 24.

Contra Cavaco e contra Marcelo

Com as eleições à vista, a mensagem política passou a ser direta. Os comunistas não falam numa segunda volta, mas é nela que estão a apostar todas as fichas em jogo. E, por isso, o adversário direto passou a ser Marcelo Rebelo de Sousa, que o candidato presidencial faz questão de colar com cola tudo a tudo a que cheire à direita. Ele é o candidato em quem "Passos Coelho, Paulo Portas, Durão Barroso e Cavaco Silva votam" e que, só por isso, nenhum "democrata, homem ou mulher de Abril ou patriota" gostaria "de ver o seu voto misturado nesse caldeirão".

"Umbilicalmente ligado às políticas de terrorismo social" desenvolvidas nos últimos anos, Marcelo Rebelo de Sousa é ainda acusado de ter estado "sempre de braço dado com os grandes interesses do capital" e de tentar agora "repor a partir da Presidência da República as políticas que foram derrotadas nas eleições de 4 de outubro".

A colagem de Marcelo à direita é trunfo garantido, mas Edgar vai mais longe e aproxima o professor do período anterior ao 25 de abril. O seu adversário "revela ter pressa, está nervoso, diz que o melhor é que as eleições cheguem o mais depressa possível", diz Edgar Silva. A vantagem nas sondagens e até a possibilidade de uma vitória à primeira volta são um cenário possível, mas que importa desmontar: "só no tempo do fascismo é que as eleições eram um simulacro e o resultado estava decidido a partida", reponde Edgar Silva. "Em democracia está tudo por decidir" e a pressa de Marcelo só pode querer dizer que está "nervoso e inseguro, porque sente o terreno a fugir-lhe debaixo dos pés".

Marcelo é o alvo principal, mas Cavaco não é esquecido no discurso do candidato apoiado pelo PCP. O ainda Presidente é acusado de "tudo fazer para que os interesses nacionais sejam de subserviência aos interesses estranhos e estrangeiros ao nosso Pais" e por isso Edgar Silva reclama a necessidade de um chefe de Estado que "defenda despudoradamente Portugal". "É urgente uma voz portuguesa na Presidência da República. Já chega que Portugal seja um País apenas serviçal da senhora Merkel", disse. A assistência gostou. E retribuiu com o incentivo da praxe: "Edgar avança com toda a confiança".