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Presidenciais 2016

Edgar Silva

Edgar Silva revisita “Kova da Moura” 28 anos depois - pela inclusão social

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Marcos Borga

No terceiro dia de campanha, o candidato a Belém refere que ainda “existem problemas de inclusão” e “integração social” que precisam ser trabalhadas

O candidato presidencial Edgar Silva revisitou, esta terça-feira, o bairro da Cova da Moura, Amadora, mais de duas décadas após o primeiro contacto com as ruelas, sons e cheiros africanos daquele aglomerado urbano precário.

O pretendente ao Palácio de Belém, apoiado pelo PCP, recordou os projetos abraçados com crianças de rua na Madeira, mas também noutros bairros lisboetas como a Curraleira ou o Prior Velho, e as experiências trocadas com diversas associações de apoio social, como o Moinho da Juventude, da "Kova da Moura" ("KM").

"Isto já está bastante diferente do que era. Há toda uma cultura dos direitos que tem vindo a crescer, mas existem problemas de inclusão, questões de integração social, políticas ativas de apoio social que precisavam de ser muito mais trabalhadas. O Estado deveria ter uma intervenção mais incisiva, mais funda, tal como os transformadores anónimos, estas pessoas, que plantam sementes de mudança e só vão dar frutos daqui por 30 anos", comentou o ex-padre e deputado regional.

Edgar Silva foi cumprimentando calorosamente diversos moradores pelos caminhos grafitados e esparsamente alcatroados ao encontro de ativistas locais, no restaurante cabo-verdiano "O Coqueiro", designadamente as peixeiras Maria Vaz e Amélia Tavares, de 58 e 72 anos, respetivamente, que ainda tentavam vender algum do peixe na banca improvisada a céu aberto da rua principal da "KM".

"Tem de trabalhar para o pobre, que está a morrer de fome", aconselhou Maria Vaz, imigrante da Praia (Cabo Verde) na década de 1980, tal como a companheira de trabalho, explicando que "o negócio vai muito mal" e que hoje só "vendeu um bocadinho pouco".

Seguindo pela montra do talho Afrocarnes e pela porta do café Ponto de Encontro, o candidato comunista entrou na rua da Madeira e logo encontrou uma conterrânea, que acorreu a beijá-lo.

"Estou aqui há 38 anos, esta é a nossa rua. Foi o meu pai que abriu este caminho", congratulou-se Rita Canelas, 61 anos, "socialista", mas que, "se calhar", ainda vota Edgar Silva porque "é madeirense" - "eu também sou Benfica e Marítimo, se ele é da Madeira, ainda voto mas é nele e vou dizer à minha mãe também".

Antes do almoço, uma típica cachupa do "arquipélago dos tubarões", Edgar Silva salientou o "trabalho silencioso de grande importância" de muitas pessoas na área social de "transformação funda da vida e da história" nestes "bairros da ultraperiferia social que não passa nos telejornais".