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Presidenciais 2016

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O “dia D” de Donald Trump

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TANNEN MAURY

O debate desta madrugada, que coloca os candidatos presidenciais dos EUA frente a frente pela segunda vez, pode ser o “dia D” de Donald Trump. Depois do vídeo divulgado ontem, o candidato republicano precisa urgentemente de recuperar o eleitorado feminino. E teme-se que recorra ao “jogo sujo”, falando da vida privada da sua opositora. No interior do seu partido, o Republicano, estuda-se com afinco a “regra 9”

Até a mulher do candidato, Melania Trump, se viu "forçada" a condenar a linguagem e o conteúdo do vídeo divulgado, em que se podia ouvir o discurso indecoroso, ofensivo e estupidamente gabarolas, gravado há 10 anos para um programa de televisão apresentado por uma mulher bonita. Tão somente isto. O discurso era tão insultuoso que após a sua emissão, 33 republicanos eminentes, de John McCain ao mediático Arnold Schwarzenneger apressaram-se a demarcar-se de Trump, afirmando que não se reviam naquele discurso e instando-o a desistir da corrida à presidência. A filha de Rudolph Giuliani, antigo mayor de Nova Iorque e um dos republicanos mais empenhados na campanha de Donald Trump, anunciou que iria votar em Hillary Clinton. E estes foram apenas alguns exemplos.

No Twitter, 9,7 milhões de mulheres partilharam episódios de agressão sexual que sofreram, em resposta ao polémico vídeo de Trump. Se a mulher do candidato, Melania, instou o povo americano a perdoar o seu homem, muitos não conseguiram ver como Donald Trump iria descalçar aquela bota. Ele foi lesto no contra-ataque - não há melhor defesa que o ataque, diz-se, o que levou Trump a defender-se com um argumento que diz mais ou menos isto: "Eu sou reles nas palavras, mas o marido da minha oponente não só é reles nas palavras como nos atos".

Este é aliás, um dos principais trunfos que se pensa que o empresário deverá sacar no debate desta noite: o passado dos Clinton, através de (supostas) acusações de violação a Bill Clinton (supostamente) encobertas pela mulher, Hillary. Especula-se até que possa haver um vídeo... Teme-se portanto, o pior: que o debate desta noite na Universidadede de Washington, em Saint-Louis, se torne num inacreditável lavar de roupa suja.

Reunido de emergência ao serão de sábado, o Partido Republicano estará a atestar as possibilidades de destituir o seu candidato a presidente. A equipa de juristas estuda a questão, mas juridicamente, esse não é um cenário muito viável, e Trump já fez saber publicamente que não tenciona desistir agora. O "timing" é um problema real. A um mês das eleições, com os boletins de voto já impressos com os nomes e as caras dos dois candidatos, parece evidente que é demasiado tarde para encontrar uma nova aposta republicana.

Contudo, a equipa de juristas encontra-se debruçada sobre a "regra 9" e a palavra "outros". Explicamos já. Nesta regra contida nos estatutos, pode ler-se: "O Partido Republicano fica por este meio autorizado e com o poder de preencher toda e qualquer vaga que possa dar-se por motivo de morte, renúncia, ou outros".

Na vizinha Cuba, Fidel Castro também ironizou sobre o candidato Trump. "Na primeira ocasião, há duas semanas, realizou-se um debate que provocou comoção. O senhor Trump, que se supunha ser um especialista capacitado ficou desqualificado, tanto ele como Barack [Obama] com a sua política. Há que atribuir-lhes agora uma medalha de barro", escreveu Fidel num artigo de opinião.

Uma coisa é certa: se o primeiro debate bateu recordes de audiência (foi o mais visto em 35 anos, com mais de 80 milhões de espectadores), o desta madrugada não lhe deverá ficar atrás.