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Presidenciais 2016

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Marcelo vai contar aventura presidencial na primeira pessoa

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josé carlos carvalho

Livro será editado antes da tomada de posse, com toda a história, desde a decisão de candidatura até à noite da vitória. Com palavras de Marcelo e fotos de Rui Ochôa. Esta segunda-feira foi dia do vencedor começar a “arrumar a casa”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Se o resultado for o que o país merece, na segunda-feira tenho muito que trabalhar”, ironizava há dias Marcelo Rebelo de Sousa. “O resultado que o país merece” seria, obviamente, a sua vitória, e o trabalho que o professor tem pela frente tem a ver com passar dossiês nas duas instituições onde tem responsabilidades de direção: na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa e na Fundação da Casa de Bragança. Em ambos os locais, Marcelo terá de arrumar a casa antes de se mudar para o Palácio de Belém.

No seu primeiro dia pós-eleição, Marcelo esteve entre a sua casa, no centro de Cascais, a Faculdade de Direito, em Lisboa, e a Fundação da Casa de Bragança, em Caxias. Com uma novidade de monta na sua residência: desde a noite de domingo que Marcelo tem segurança providenciada pelo Corpo de Segurança Pessoal da PSP, e esta noite já esteve estacionado à porta de sua casa um veículo policial. Marcelo pretende continua a residir na sua morada de sempre - não põe sequer a hipótese de se mudar para Belém - e ainda hoje as autoridades terão já feita a visita técnica para identificar vulnerabilidades e necessidades de segurança dessa moradia.

Último doutoramento com Diogo Feio

No mês e meio que falta para a tomada de posse, Marcelo terá de constituir o seu gabinete - Casa Civil e Casa Militar -, assunto sobre o qual se recusou sempre a falar durante a campanha eleitoral. Até 9 de março, arrumar a casa significa não apenas preparar a sua Presidência, mas também passar a pasta das suas atuais responsabilidades. Na Faculdade de Direito, começar já a fazer um tricot de organização de juris. Não só a reorganização daqueles onde Marcelo deveria participar, mas terá de ser substituído, mas também o trabalho normal de formação de juris, numa fase em que a Faculdade ainda vive alguma agitação por causa das entradas e saídas de docentes, como consequência das eleições legislativas e da formação do Governo PS - houve gente a sair para o Executivo, gente a voltar para a academia, e esse é um trabalho que ainda está em curso.

Na quarta-feira está prevista uma reunião do Conselho Científico da Faculdade de Direito, a última a que Marcelo presidirá, que será em boa parte ocupada com a organização dos docentes até ao final do ano letivo.

Até à tomada de posse, no dia 9 de março, Marcelo ainda participará em três juris (a 1 e a 8 de fevereiro e a 4 de março). O último ato académico de Rebelo de Sousa, cinco dias antes da tomada de posse, será na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, na defesa da tese de doutoramento do dirigente do CDS Diogo Feio. A tese tem como título "Uma História Interminável. Entre a União Europeia e a União Económica e Monetária: O Governo, o Orçamento e os Impostos" e teve como orientador do futuro chefe do Estado.

As contas da Fundação e o livro da campanha

Na Fundação Casa de Bragança, a prioridade de Marcelo Rebelo de Sousa é fechar o relatório e contas relativo ao exercício de 2015 e escolher o seu sucessor.

O Expresso sabe que, nos poucos intervalos permitidos pela campanha eleitoral, o professor tem preparado tanto uma coisa como outra - a sua saída da faculdade e da fundação. As poucas horas de sono que se costuma permitir ajudaram: a troca de mails durante a madrugada foi uma constante tanto para os seus pares da academia como para os seus colaboradores na fundação que gere o património da última família real.

Pelo meio de todas estas tarefas, Marcelo assumiu outra: escrever, na primeira pessoa, a história desta candidatura e campanha eleitoral. Desde o arranque da candidatura, Rebelo de Sousa foi acompanhado pelo foto-jornalista Rui Ochoa, antigo editor de fotografia do Expresso. Ochoa seguiu-lhe todos os passos, desde reuniões de planeamento e deslocações nunca divulgadas até ao anúncio de candidatura e todos os eventos do programa oficial de campanha. Essas fotos vão contar uma parte da história - a outra será contada pelo próprio candidato, com base nas suas memórias e nas notas que guardou nestes meses.

O livro deverá ser lançado ainda antes de Marcelo se instalar em Belém.