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Presidenciais 2016

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Politico elogia o “notável” Marcelo e a ausência de “derivas radicais” entre a maioria dos eleitores

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José Carlos Carvalho

Uma análise do site Politico considera a vitória de Marcelo “notável” e descreve que os portugueses, ao elegerem o candidato apoiado pela direita, voltaram a moderar o voto - “não havendo qualquer deriva para as alternativas radicais como as do espanhol Podemos e do grego Syriza”

O site de informação Politico considerou esta segunda-feira que a eleição presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa pode ser uma vantagem para o primeiro-ministro português, António Costa, moderar os parceiros à sua esquerda.

"Costa, que tornou claro que a sua vertente antiausteridade será feita dentro dos limites da zona euro, até pode ficar agradecido aos eleitores que lhe deram um Presidente do centro direita; Rebelo de Sousa pode ajudá-lo a moderar as ambições esquerdistas dos seus aliados comunistas e do Bloco de Esquerda", lê-se no texto.

A análise, assinada por Paul Ames, apresenta cinco conclusões sobre os resultados eleitorais em Portugal, chamando a Marcelo 'the man' [o homem] e notando que 80% dos eleitores votaram em candidatos tradicionais, o que mostra que "a moldura política não se alterou" e que o poder dos partidos à esquerda do PS resulta do acordo com os socialistas "e não de uma deriva para a esquerda dos eleitores".

O texto do 'site' Politico, que esta segunda-feira apresenta em manchete uma entrevista com o Presidente dos Estados Unidos, oferece cinco conclusões sobre as presidenciais em Portugal, a começar com esta: "Marcelo's the man".

"A margem da vitória de Rebelo de Sousa é notável, dado que passaram apenas dois meses desde que o Governo liderado pelo seu PSD de centro-direita foi expulso do poder, punido pelos eleitores descontentes com quatro anos de dolorosas reformas económicas", lê-se no artigo.

A "coabitação no abismo" é a segunda conclusão do artigo de análise, e é aqui que o autor explica que a vontade de António Costa abrandar a austeridade sem comprometer a consolidação orçamental nem violar os compromissos europeus pode esbarrar no Bloco de Esquerda e no PCP.

"Se os esforços de Costa para conjugar a antiausteridade e os compromissos da zona euro conduzirem a uma 'guerra' com os seus parceiros da extrema-esquerda, o papel de Rebelo de Sousa será crucial em decidir se o Governo consegue aguentar-se", escreve a Politico.

O terceiro ponto é que os eleitores voltaram a moderar o voto, "não havendo qualquer deriva para as alternativas radicais como as do espanhol Podemos e do grego Syriza".

Por outro lado, o Politico defende que "o caos socialista é menos sério do que parece", argumentando que, "para já, Costa está firme no comando", mas notando que "isso muda se o acordo com os comunistas e bloquistas começar a desmoronar-se".

O último ponto da análise do Politico prende-se com os dois partidos à esquerda do PS, notando a importância de Catarina Martins e Marisa Matias nos resultados do Bloco de Esquerda nas últimas duas eleições.