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Presidenciais 2016

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Noite de Tino acaba com “peixeirada”

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Alberto Frias

Vitorino Silva não entrou em direto em nenhum canal de televisão o que levou à revolta da sua diretora de campanha e da sua mulher, que proibiram os jornalistas de utilizarem as declarações gravadas

Alberto Frias

(fotos)

Fotojornalista

A noite de Vitorino Silva começou por ser de festa mas acabou com uma peixeirada iniciada pela diretora de campanha, que proibiu os jornalistas de passarem as declarações do candidato.

Às 20h, quando soube das primeiras projeções que lhe davam uma votação idêntica à de Maria de Belém e Edgar Silva, com hipótese até de ultrapassá-los, Vitorino Silva rejubilava. "Estou muito feliz", repetiu várias vezes aos jornalistas.

Depois de falar ao telefone com a filha Catarina e com o Presidente eleito Marcelo Rebelo de Sousa, e após ter mais certezas sobre a sua percentagem de voto (terminou com 3,3%, em 6.º lugar), Tino resolveu fazer a sua declaração ao país. Já só faltavam ele e Marcelo comentar os resultados. Entre um e outro compasso de espera, a pedido das televisões, hesitou entre vestir a samarra ou ficar em mangas de camisa. Ganhou o blazer. Tudo a postos. "Agora não, que Marcelo está a sair de casa e estão com ele", dizem-lhe.

Alberto Frias

O calceteiro mais conhecido do país aguarda pacientemente pelo sinal das tv's. Eis que este chega e Tino começa a falar para os microfones das câmaras de televisão e rádios, apoiado nos rabiscos feitos por si numa folha A4. Primeiro vêm os parabéns ao novo Presidente, depois os agradecimentos a quem votou nele, à equipa, aos amigos, à familia, aos portugueses. Resumindo: "Àqueles que acreditam na diferença, no pormenor e que de uma forma desinteressada me ajudaram nesta caminhada". Tino termina com um pedido de "uma grande salva de palmas ao professor Marcelo".

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Nesta altura a alegria ainda reinava na sala 9 do 10.º piso da torre 2 das Amoreiras, em Lisboa. De um telemóvel ouve-se o hino da campanha, que tem por base o "malhão, malhão" e o calceteiro canta e dança, feliz.

Até que tanto a diretora de campanha, Margarida Ferreirinha, como a mulher do candidato, Maria de Céu, se apercebem de que a declaração de Vitorino Silva, afinal, não passou em direto nas televisões. Está lançada a confusão e a desilusão.

"Isto é ridículo. É uma vergonha", repetem duas e três vezes. "Uma pessoa tem um resultado destes, sozinho, e não tem direito a passar nada?", questionam. "Podem apagar tudo. Ou fazem direto, como fizeram com os outros candidatos, ou não há nada para ninguém. Podem dizer aos vossos editores, aos vossos chefes", afirma bem alto Margarida Ferreirinha, que conclui: "Isto é mesmo peixeirada. Podem arrumar as coisas, temos de fechar a sala. E amanhã [segunda-feira] segue um protesto formal para a Comissão Nacional de Eleições, escrito por um advogado".

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Atrapalhado e até algo desorientado com o que está a acontecer, Tino vai repetindo: "O Paulo Portas e a Catarina Martins foram candidatos a Presidente? É mais importante filmar o carro do professor Marcelo?".

Maria do Céu, que é também a mandatária financeira da candidatura, já não deixa o marido falar com os jornalistas. E avisa-o: "Não dás mais entrevistas e amanhã [esta segunda-feira] não vão lá filmar-te ao trabalho de martelo na mão, ouviste? Só querem palhaçada". "Começámos sozinhos e acabamos sozinhos", desabafa, visivelmente enervada.

Entretanto, na página de Facebook "Portugal com Tino", surge o comunicado, assinado pela mandatária nacional Cristiana Silva, que termina da seguinte maneira: "E desta vez o Candidato não vai ficar a fazer 'bonequinhos', vai protestar formalmente às entidades competentes. Apesar de já ter falado aos jornalistas presentes, a equipa e o candidato Vitorino Silva pediram para não passar as declarações já gravadas, uma vez que o Presidente eleito já tinha discursado e não se fala depois do vencedor, por uma questão de respeito com o mais importante representante da Nação."