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Presidenciais 2016

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Portugueses na Venezuela votam para manter ligação ao país

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“Estamos longe mas continuamos a ser portugueses e é muito importante manter esse vínculo. (...) Não há terra como a nossa e não há nada como a democracia”, frisa uma emigrante madeirense, que este fim de semana votou pela primeira vez

Os emigrantes portugueses na Venezuela votaram este sábado e domingo para a eleição do próximo Presidente da República, um gesto que entendem ser "uma maneira de manter uma ligação" e que os aproxima da terra de nascimento.

"Para mim é importante manter uma ligação, uma proximidade. Eu nasci lá, tenho família lá e adoro Portugal. Todos os dias falo com (para) Portugal", explica uma emigrante portuguesa à Agência Lusa.

Na Venezuela há 42 anos, doméstica e quase a fazer 60 anos, Dina Maria Gonçalves Rodrigues de Jesus nasceu em Loulé e vive em Ocumare del Tuy (sudoeste da capital), de onde viajou 80 quilómetros para votar no consulado geral de Portugal em Caracas.

"Sou de Loulé, Algarve, a zona mais linda de Portugal. Estive lá em setembro. Portugal está sempre bonito, principalmente a minha zona", diz. Por outro lado, com as lágrimas nos olhos, explica que "há um ano, devido à situação" venezuelana, a "filha foi embora para lá, com os dois netinhos".

"Estão a tentar adaptar-se. Aqui, por causa das crianças era difícil conseguir leite e fraldas, e tomaram a decisão (de ir embora), apesar de o marido ser um 'criollito' (venezuelano sem ascendência estrangeira)", revela.

Outra doméstica, Natália Fernandes Gonçalves Ferreira, natural do Campanário, Madeira, com 62 anos, explica que foi votar porque quer ficar sempre ligada à sua terra. "É a primeira vez que venho votar. Estamos longe, viajámos, mas continuamos a ser portugueses e é muito importante manter esse vínculo. Estive em Portugal pela última vez há cinco anos. Não há terra como a nossa, e não há nada como a democracia", frisa.

Natural de Estarreja, Aveiro, e na Venezuela há 60 anos, outro português, o médico neurologista Mário Bastos explica à Lusa que "é sempre muito importante manter uma relação com o país" de origem. "Nasci lá, os meus pais continuaram com os costumes e tradições (portuguesas). Tenho família aqui e lá e estamos sempre em contacto, acompanhando com interesse a situação no país", diz o médico de 68 anos.

Para o comerciante João Abílio de Sousa Sequeira, de 74 anos, as razões para votar estão ligadas às saudades de Portugal. "Vim votar porque é um direito e um dever, mas também porque mantenho uma relação de saudade com Portugal. Gosto muito e de vez em quanto tento ir lá", garante.