Siga-nos

Perfil

Presidenciais 2016

Presidenciais 2016

“Podíamos arranjar uma candidata engraçadinha, mas não somos capazes de mudar”

  • 333

Marcos Borga

Jerónimo de Sousa no seu melhor. Assumiu que o “resultado ficou aquém das expectativas”, mas conseguiu contornar a noite da derrota eleitoral com soundbites de sobra. Desde logo quando parou de falar aos jornalistas quando Passos Coelho surgiu na televisão. “Estou hesitante em continuar. Estou a ver o Passos Coelho à minha frente” (...) estamos habituados a que queiram calar a voz do PCP

Um resultado "aquém das expectativas". Foi o mais longe a que o PCP conseguiu ir na analise do resultado eleitoral da candidatura de Edgar Silva a Presidente. O candidato ficou em quinto lugar, teve o prior resultado de sempre de um candidato presidencial comunista e o objetivo de forçar Marcelo a uma segunda volta caiu por terra.

Edgar Silva, primeiro e Jerónimo de Sousa depois assumiram isso mesmo. O candidato foi um pouco mais longe e admitiu que "o principal objetivo político estratégico não foi conseguido". Nada porém que chegasse para o fazer baixar os braços. Temperou a má prestação com a justificação vaga de que "nem tudo dependeu exclusivamente de nós", preferindo destacar o segundo lugar que obteve na Madeira ou a vitória no concelho de Aviz.

"A História é feita de intermitências e não termina esta noite", disse o candidato na despedida, prometendo que, amanhã, vai "continuar a sonhar com coisas impossíveis".

Jerónimo não teme interferências no Governo

Coube a Jerónimo de Sousa a resposta às questões políticas de fundo abertas com este resultado. Os jornalistas questionaram o secretario geral comunista sobre o impacto destas eleições na relação de forças da esquerda que sustenta o governo. Perguntaram sobre as consequências para a sua permanência na liderança do PCP ou sobre a eficácia da máquina comunista, mobilizado em força para as Presidenciais e que culminaram num resultado tão tímido.

Jerónimo esteve no seu melhor. Quando os canais de televisão lhe interromperam o seu discurso para passar a diretos com Pedro Passos Coelho acusou o toque. E, na verdade, as televisões regressaram ao Hotel Vitória.

Quando as dúvidas incidiram sobre o acordo das esquerdas, nem pestanejou. "Estas eleições não se vão reflectir na solução governativas", disse com todas as letras. "Da nossa parte não haver qualquer alteração sobre o que entendemos ser o nosso compromisso".

Já quanto aos efeitos internos da derrota eleitoral, Jerónimo quis "sossegar os jornalistas". "Não vos vou desiludir", começou por dizer, para garantir que o partido e os militantes "são os mesmos que estão aqui com um grande sentimento de solidariedade com Edgar Silva" e que "não muda" quando os resultados não correm de feição...

E aí surgiu o grande soundbite da noite. "Podíamos arranjar uma candidata mais engraçadinha e com um discurso mais populista", disse Jerónimo de Sousa. A indireta ficou-se por aqui, mas o tiro acertou em cheio. "São opções e não quero criticá-las", acrescentou Jerónimo. Para depois relatar com uma confissão: "Não somos capazes de mudar. Fazemos sempre a mesma opção por uma forma séria de fazer política".

E afinal a História tem costas largas. "Conhecemos muitos êxitos e recuos. A vitória não nos descansa e a derrota não nos desanima", disse o secretário geral do PCP. A luta há-de sempre continuar.