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Presidenciais 2016

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Catarina garante que “sementes” da campanha de Marisa “darão fruto” e deixa críticas a Costa

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Rui Duarte Silva

A líder do BE sublinhou que o resultado de Marisa Matias é “o maior de sempre à esquerda, na área política do Bloco”. E criticou o PS por “ambiguidade” no dossiê presidencial

"As sementes desta campanha darão fruto", afirmou Catarina Martins, na avaliação do resultado de Marisa Matias, "o maior de sempre à esquerda, na área política do Bloco". Uma formulação para dizer que foi o melher resultado de qualquer candidato à esquerda do PS, incluindo também os do PCP (desde que comunistas e bloquistas coexistem no espectro político).

Como tal, nessas contas não entram a votação de Carlos Carvalhas, do PCP, em 1991, que teve 12,92% dos votos; nem Otelo Saraiva de Carvalho, em 1976, num contexto político (e ainda pós-revolucionário) completamente diferente, que alcançou 16,46% dos votos.

Dos três objetivos fixados pelo BE para estas presidenciais, Catarina Martins reconheceu, como antes fizera Marisa Matias, que um deles falhou: obrigar Marcelo Rebelo de Sousa a uma segunda volta. Salientou, contudo, que "o Presidente da República contará com a lealdade institucional do BE".

Já os outros dois objetivos - "levantar as questões do nosso tempo" e "dar mais força aos caminho já percorrido contra a austeridade" - foram alcançados, segundo a porta-voz nacional do BE.

A líder do Bloco salientou que a "intervenção" do seu partido, algo que "muitos não quiseram ver" nas legislativas de 4 de outubro, "mudou o mapa político em Portugal".

Recados para António Costa

Neste contexto, num balanço das eleições de hoje, disse que elas foram "uma vitória da direita e uma derrota da esquerda, da qual devem ser retiradas lições".

De seguida, sem ter um destinatário explícito, mas numa declaração que assenta como uma luva ao líder do PS (que optou por não apoiar qualquer candidato), afirmou: "A ambiguidade não mobiliza ninguém e a desistência é sempre o pior dos caminhos. Esse nunca é o caminho do BE", afirmou Catarina Martins. "Terá de existir no país uma reflexão sobre como a direita venceu", diria pouco depois.

Catarina Martins deixou um segundo recado a António Costa, quando enumerou razões pela qual considera ser hoje o seu partido "a força fundamental" da esquerda. "O Bloco cresce porque são cada vez mais os homens e as mulheres que não se resignam com a emigração e a pobreza".

Uma frase clara e que neste caso teve os seus destinatários bem identificados: "A direita, os poderes europeus e também o Governo".

(Artigo rectificado às 11h33m, com a inserção do resultado de Carlos Carvalhas)