Siga-nos

Perfil

Presidenciais 2016

Presidenciais 2016

Marcelo apela a um “voto definitivo” no dia 24

  • 333

Candidato pede que não se prolongue “indefinidamente um longuíssimo período eleitoral que já leva quase um ano”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

texto

Jornalista da secção Política

José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

fotos

Fotojornalista

No final da campanha, Marcelo Rebelo de Sousa deixou o apelo derradeiro ao voto que garanta que no domingo haja um vencedor definitivo. O candidato sabe que lidera destacado todas as sondagens, sabe que todas lhe dão a vitória à primeira volta, mas também sabe que as sondagens não medem a abstenção e esse pode ser o fator decisivo para Marcelo cantar vitória ou meia-vitória no domingo.

Por isso, a sua primeira mensagem no comício desta noite, em Braga, foi para que os portugueses vão votar. "É uma decisão essencial, porque o Presidente é um instrumento fundamental na pátria portuguesa". E a última mensagem foi para que o voto de domingo seja "definitivo", sem necessidade de ir a segunda volta. "O voto que dispensa que se prolongue indefinidamente um longuíssimo período eleitoral que já leva quase um ano", sublinhou Marcelo. "É um voto que eu tenho intimamente a certeza que será um voto definitivo no dia 24."

O apelo de Marcelo foi feito num auditório bem cheio, que mostrou uma boa capacidade de mobilização das máquinas partidárias, apesar da discrição que mantiveram até ao fim (Marcelo fala muito de espontaneidade mas, neste comício, o elemento mais espontâneo talvez fosse a bandeira do PSD que, contrariando todas as indicações da candidatura, era agitada por um militante).

Num discurso de balanço, o professor reiterou a idiossincrasia da sua candidatura, a sua independência e liberdade. Repetiu a frase dos últimos dias: "Foi muito diferente a minha campanha eleitoral, porque eu sou diferente". E fez o retrato de uma campanha à sua imagem e semelhança: "de moderação contra imoderação","livre e independente","parcimoniosa, moderada, contida em custos e em espetáculo", "próxima das pessoas", "que ultrapassa fações, grupos, tendências, sensibilidades, e vai diretamente às pessoas".

Esse aspeto da ligação direta às pessoas, muitas vezes com o candidato sozinho na conversa com os eleitores, foi um dos mais marcantes da campanha e aproveitado por Marcelo para reciclar um slogan alheio: "Então não é o povo quem mais ordena? E estar próximo do povo é algum pecado? Falaram numa campanha de alguém isolado? Olhem para esta sala e eu pergunto: isolado onde e como?"

"Desapareceu o analista político"

Ao fim de dias sucessivos em que Marcelo ainda foi saudado como o grande comunicador da TV, tratou de matar em direto e ao vivo o seu alter-ego comentador. "Quando decidi apresentar a candidatura, desapareceu o analista político. Não me venham pedir análises políticas. A partir de dia 24, às análises que fizer ficarão comigo mesmo."

Marcelo voltou a retratar o "seu" PR como o "supremo árbitro", "moderado", com preocupações "de equilíbrio" e o encargo de promover consensos, pois o "País não precisa de tensões nem de radicalismos.

Aos que ainda estão indecisos, deixou as pistas que apontam para si: "olhem para o mundo como ele está", com a desaceleração económica, a crise síria, a tragédia refugiados, e outros desafios, e "escolham experiência, história política, capacidade de unir e criar consensos".

E, num raro remoque a Sampaio da Nóvoa, afirmou que "não há um tempo novo e um tempo velho, o único tempo é o tempo de Portugal.

Espremido em Guimarães

A sessão pública de Braga foi a penúltima etapa do caminho de Marcelo para domingo - seguiu-se outra sessão pública ("sessão pública" é marcelês para "comício") em Celorico de Basto, a terra da Avó Miquelina, onde o candidato identifica as suas raízes e onde anunciou, em outubro, a sua candidatura a Belém. No sítio onde a candidatura começou, a campanha acabou.

Foi o fim simbólico para o que foi, de longe, o dia mais intenso de toda a campanha - o que teve mais eventos, quase todos ações de rua, com muito povo e a calorosa recetividade minhota. Na paragem em Guimarães, a meio da tarde, foi até um bocadinho mais do que isso. Havia bastante gente à espera do candidato no Largo do Toural, e boa parte precipitou-se sobre ele, mal este saiu do táxi do Senhor Vitor, que foi o seu meio de transporte nesta campanha.

Foi um esmagamento de longos minutos - a comitiva minimal e a ausência de segurança têm um preço: Marcelo pagou-o com as mulheres que se lhe penduraram ao pescoço com uma violência de meter dó. O candidato aflito, e elas a agarrarem-no, a esfregarem-no, a beijá-lo, uma mulher a chorar, outras afogueadas, e Marcelo cada vez mais besuntado de batons e blush. Quando a sua cara já parecia uma tela impressionista, alguém a limpou com um lenço, para começar tudo outra vez.

A receção em Guimarães mostrou que, se Marcelo quisesse, podia ter feito comícios em praças cheias. Os dois grupos demográficos nos quais, segundo as suas sondagens, o candidato é mais forte - os jovens e os idosos - não escondiam o fascínio por terem à sua frente o comentador da televisão.

Os mais novos retraem-se mais, veem de longe, com ar cool. Os mais velhos, esses, atiram-se para a frente, sobretudo elas, nalguns casos protagonizando beijos com um considerável nível de ousadia.

Setecentos euros pela noite eleitoral

No final, Marcelo empoleirou-se no carro para acenar, e saiu sob aplausos. Uma mulher que já tinha tirado "três selfies" com ele, louvava-o alto e bom som porque "está a fazer campanha com o dinheiro dele".

E será "o dinheiro dele" a pagar o átrio da Faculdade de Direito, para onde está marcada a noite eleitoral. A notícia provocou alguns protestos durante a tarde, mas o candidato explicou que qualquer cidadão, "pagando, pode utilizar aquele espaço durante umas horas". No caso, "700 euros", explicou Marcelo, embora considerando que acha pouco. Mas, ao que lhe explicaram, "é o preço de tabela". Será lá o último episódio desta história.