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Presidenciais 2016

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Como uma arruada se transformou num passeio à chuva

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Tiago Miranda

Sampaio da Nóvoa reuniu autarcas na Trindade, mas a arruada do Chiado saiu prejudicada pela chuva. E Mário Soares mandou uma mensagem

Luísa Meireles

Luísa Meireles

(texto)

Redatora Principal

Tiago Miranda

Tiago Miranda

(fotos)

Fotojornalista

E no último dia, finalmente, Mário Soares deu um sinal. Numa mensagem curta lida pelo mandatário nacional de Sampaio da Nóvoa aos autarcas reunidos num almoço na Trindade, o mais emblemático dos ex-presidentes que patrocina esta candidatura afirmou que não queria deixar passar o último dia de campanha sem reiterar o seu "total apoio" ao candidato que é (pode ser) "o único Presidente capaz".

Foram 250 os autarcas confirmados que hoje encheram a cervejaria neste último dia de campanha, findo o qual decorreu uma arruada pelo Chiado. Duas escolhas tradicionais do PS para os finais de campanha - o local de almoço e a arruada no Chiado - a revelar por um lado o apoio dos socialistas e, por um outro, uma ousadia.

Por autarcas, entenda-se, presidentes de câmara, vereadores e eleitos em assembleias de freguesia. No sentido amplo, portanto. De destaque, a presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, mas que é também membro do secretariado nacional do PS e mandatária do candidato para a causa das cidades e do desenvolvimento territorial. E, pelo Governo, Carlos Miguel, secretário de Estado das Autarquias Locais.

Com as presidenciais a mobilizarem tão pouca gente, foi um desafio encher as ruas da baixa de Lisboa, para mais com a chuva miudinha que caía a espaços, muito pouco mobilizadora. A organização apontou para mil pessoas. A olho nu, o cortejo de entusiastas encheu a Rua do Carmo.

Sampaio da Nóvoa e Manuel João Vieira cruzaram-se esta tarde na baixa de Lisboa

Sampaio da Nóvoa e Manuel João Vieira cruzaram-se esta tarde na baixa de Lisboa

Tiago Miranda

O elogio do poder local

Na sua intervenção, Sampaio da Nóvoa fez o elogio do poder local, a quem deve muito do poder de mobilização ao longo da campanha pelo país.

"Reencontro hoje aqui muita gente que fui encontrando ao longo da campanha, que me ajudaram a reforçar o contacto com as pessoas", disse o candidato. "O vosso papel foi determinante nestes meses, o vosso exemplo foi sempre inspirador, a vossa força é uma das razões pelas quais no próximo domingo estou mesmo convencido que iremos comemorar a passagem à segunda volta e que irei estar de novo no terreno convosco nas próximas três semanas".

"São os autarcas que estão na linha da frente do contacto com as pessoas e diagnosticam os problemas. E na maioria das vezes são eles que começam a resolvê-los com os meios escassos ao seu dispor", disse ainda o ex-reitor, reiterando que o poder local foi uma das "grandes conquistas da democracia".

Hoje, último dia da campanha, o candidato ainda reunirá para um jantar os seus mandatários nacionais e das causas, bem como os membros da Comissão Política e Executiva. À noite, o comício de encerramento, às 21h, será na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa.

Na prevenção da segunda volta

Ontem, no comício do Porto, ficou claro que a direção do PS aposta também ela numa segunda volta, que, segundo o candidato, está ao virar da esquina. A presença do presidente do partido, Carlos César - a título pessoal, vincou - não foi por acaso, para mais não tendo discursado.

À pergunta da jornalista se nessa hipotética segunda volta com o candidato Nóvoa o PS entraria em cheio na corrida, preferiu deixar a decisão para os órgãos do partido, embora admitindo essa possibilidade. "Eu, pelo menos, tenho a vantagem de me ter adiantado", afirmou.

Ele e grande parte da direção socialista, acrescenta a jornalista, a começar pela própria secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes, que por várias vezes interveio na campanha do candidato, a última das quais no comício em Setúbal, na segunda-feira passada. "Ao PS não é indiferente um candidato de esquerda ou de direita", disse ela então.

As sondagens reveladas hoje dão conta de Marcelo Rebelo de Sousa a ganhar em todas à primeira volta, mas em duas dentro da margem de erro, e de Sampaio da Nóvoa com um inequívoco segundo lugar. Essa mesma confiança de que fica em segundo, e que vai haver uma segunda volta, voltou hoje a ser reafirmada pelo candidato.

Nos meios da candidatura é mesmo uma crença, ao ponto de alguns aventarem que essa é mesma a convicção do próprio "front runner". E Manuel Pizarro, membro do secretariado nacional do PS, que ontem discursou no Porto, interpreta aliás dessa maneira o "namoro" à esquerda feito por Marcelo: uma prevenção para uma hipotética segunda volta, muito mais extremada, e com novos protagonistas. Leia-se António Costa.