Siga-nos

Perfil

Presidenciais 2016

Presidenciais 2016

Louçã pede votos dos socialistas para Marisa Matias

  • 333

HUGO DELGADO/ Lusa

A 48 horas do fim da campanha, Marisa inicia a pesca em águas socialistas. Ao intervir no comício de Braga, na noite desta quarta-feira, Francisco Louçã lançou a rede: “Marisa [Matias] terá mais votos do que Maria de Belém pela força dos votos dos socialistas”

Na campanha de Marisa Matias há desde terça-feira uma convicção muito forte de que o caso das subvenções vitalícias dos ex-políticos está a arrastar para o fundo a candidatura de Maria de Belém.

Na noite desta quarta-feira, em Braga, coube a Francisco Louçã dar o sinal de arranque para a conquista desses despojos eleitorais.

O ex-coordenador do BE, que durante o dia esteve em todas as iniciativas da campanha (Famalicão, Guimarães e Braga), afirmou no comício que encerrou a jornada minhota: “Marisa [Matias] terá mais votos do que Maria de Belém pela força dos socialistas que são a favor da responsabilidade e pela força daqueles que acham que é preciso virar a página para defender, como ela faz, a justiça”.

Louçã apelou aos eleitores do PS que “não aceitam que a política esteja reduzida a uma guerra do seu partido” e também aos que “não aceitam que esta campanha seja destinada a premiar o calculismo, ou uma espécie de marcelismo cor-de-rosa".

Herdeira de Pintasilgo

“Há 30 anos que esperamos a candidatura de Marisa, desde Maria de Lourdes Pintasilgo que a esperamos”, afirmou o fundador do Bloco, numa alusão às presidenciais de 1986. Então, pela primeira vez (e única até 2016), uma mulher concorreu à chefia do Estado.

Num discurso que entusiasmou os apoiantes presentes na Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, Francisco Louçã começou por assinalar a morte de Nuno Teotónio Pereira, ocorrida na quarta-feira, para prestar “homenagem a esse grande homem”.

Em 1972, Louçã era um jovem de 16 anos, que estava na ocupação da Capela do Rato, em Lisboa (iniciativa de católicos que lutavam contra o regime, que teve em Teotónio Pereira um dos líderes). O estudante e o já então destacado antifascista acabariam na mesma leva de manifestantes que foram presos pela PIDE. Nuno Teotónio Pereira seria mais tarde um dos fundadores do Bloco de Esquerda, como lembrou Marisa Matias.

Se o apelo explícito aos eleitores do PS foi a grande novidade do discurso de Louçã, o antigo líder do Bloco não deixou de atacar Marcelo Rebelo de Sousa, sem nunca, no entanto, mencionar o seu nome.

“Não queremos excentricidades em Belém; queremos solidez, não queremos jogos nem lotarias”, afirmou Francisco Louçã, pondo assim em causa a fiabilidade do candidato da direita.

HUGO DELGADO/ Lusa

"Desfalque de dinheiros públicos"

Marisa Matias, que centrou a sua intervenção sobre a “crise da política”, sacou da ironia para disparar contra Marcelo, quando afirmou haver na campanha “um combate de titãs” e “um confronto sangrento até à morte”: Marcelo contra Marcelo.

Mas “os portugueses têm memória e lembram-se que Marcelo é o mesmo”, disse a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, depois de ter elencado situações em que considera que Marcelo diz uma coisa e o seu contrário.

No comício de Braga (uma sala muito composta, mas não cheia), Marisa Matias insistiu no tema que encima a sua agenda, de um modo mais evidente desde o debate na televisão, na terça-feira: o acórdão do Tribunal Constitucional (TC) que repõe parte das subvenções vitalícias de ex-políticos.

A candidata disse tratar-se de um “privilégio grotesco” e de “um autêntico desfalque de dinheiros públicos tornado legal pela falta de escrúpulos de quem o aprovou e decidiu manter”.

Em relação aos 30 deputados que pediram a intervenção do TC (entre os quais se encontra Maria de Belém), Marisa manifestou “repúdio” pela iniciativa, para de seguida afirmar: “Usaram o voto concedido por todos para tratar de privilégios pessoais. Abusaram da confiança de quem os elegeu”.