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Presidenciais 2016

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Jerónimo ataca “campanha de bolinhos e banalidades”

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O líder comunista voltou à campanha de Edgar Silva e teve Marcelo Rebelo de Sousa como alvo central. “Se alguma vez foi independente e distante foi dos explorados”, disse sobre o candidato de direita. O apelo ao voto no candidato do PCP tem por base uma aritmética básica: “quantos mais votos tiver Edgar Silva, menos capacidade tem Marcelo de passar à segunda volta”

Rosa Pedroso Lima

Rosa Pedroso Lima

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Jornalista

A Academia Almadense encheu para receber o candidato comunista a Belém. Na quinta-feira, no mesmo sítio e à mesma hora, será a vez de Marisa Matias mostrar o que vale a capacidade de mobilização. A máquina do PCP está bem oleada, não falha. Ainda para mais com a presença do secretário geral na sala, a lotação esgotada está garantida. E esteve.

As honras do discurso político couberam, mais uma vez, a Jerónimo de Sousa. Foi o líder comunista quem traçou bem a linha vermelha que separa a campanha de Edgar Silva - "um homem justo" e "que se opõe à política de direita"- de Marcelo Rebelo de Sousa. Ao professor de Direito ficaram reservadas as maiores críticas da noite. Marcelo "agora apresenta-se como se fosse um candidato independente, quando foi tudo e um par de botas no PSD", diz Jerónimo. Defende "uma postura de falso árbitro como Presidente da República" quando o que "é preciso é alguém que cumpra e faça cumprir a Constituição". Faz "uma campanha de bolinhos e banalidades" mas, acima de tudo, representa o inimigo principal dos comunistas, a "política de direita".

O líder do PCP não tem dúvidas. Marcelo será "o instrumento para a direita recuperar a sua agenda", um "ponta de lança dos grandes interesses". Numa frase: será "a desforra da derrota que PSD e CDS sofreram nas últimas Legislativas".

Contas feitas, os comunistas acham que "é preciso continuar a trilhar o caminho" aberto nas últimas eleições e que permitiu uma solução de governo à esquerda. "Os passos positivos dados" e as "conquistas já alcançadas" não podem ser desperdiçadas com um inquilino em Belém de outra cor política. A batalha segue agora para a tentativa de forçar uma segunda volta das eleições para a Presidência.

“O voto não é um mal menor”

"Esta é uma batalha eleitoral importantíssima", dramatizou Jerónimo de Sousa, antes de passar a palavra ao candidato presidencial. E Edgar Silva aproveitou a deixa para garantir que o seu "compromisso é com uma profunda rotura em relação às orientações políticas que ao longo dos últimos quatro anos têm atingido o País".
A linha vermelha estava traçada, a escolha entre os dois polos políticos também. Resta o esforço de captar os votos, a gigantesca tarefa que o candidato e o PCP têm pela frente a escassos dias da ida a votos.

O combate passa por desmontar o voto útil à esquerda. Ou, como prefere dizer Edgar Silva, por sublinhar como "o voto não pode ser um mal menor. Tem de ser um bem maior". "Tal como não queremos viver a vida pela metade, também o voto tem de ser uma opção pela positiva e pelos valores".

"Quem senão nos defenderá os direitos garantidos em Abril", pergunta o candidato a uma sala que rebenta em palmas. Que continuam quando se fala em "defesa do serviço nacional de saúde, na segurança social enquanto instrumento de justiça social ou na defesa empenhado dos direitos dos trabalhadores". O público está satisfeito, mas sai da sala com trabalhos de casa marcados: mobilizar gente para votar no próximo domingo. Edgar Silva confessa que aprendeu "imenso" durante os últimos três meses de terreno eleitoral. E o seu próprio partido, este "coletivo que se agiganta superou" todas as suas expectativas. No domingo, porém, se verá.