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Presidenciais 2016

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“É preciso acordar todos, o importante é haver 2ª volta”

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Tiago Miranda

Sampaio da Nóvoa, em volta pelo norte, faz os útimos apelos ao voto. Andou por Braga e Felgueiras e deu uma aula de filosofia na Trofa

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Tiago Miranda

Tiago Miranda

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Fotojornalista

"O importante é que haja segunda volta e que todos compreendam ques estas eleições contam muito", disse Sampaio da Nóvoa, que anda hoje numa volta pelo norte, a derradeira antes de rumar a sul, para o encerramento da campanha, amanhã, em Lisboa.

O candidato, que falava aos jornalistas em Felgueiras, não se revê nas acusações de "populismo" que lhe fez Maria de Belém a propósito da sua posição contra as subvenções vitalícias e recusa-se a dar-lhe outra dimensão que não seja a "óbvia dimensão política".

O tema tem "dimensão política, mas não quero que se desvie para dimensões menores, na qual nunca me verão", afirmou. E acrescentou: "estou totalmente focado nas 36 horas de campanha que me restam para explicar que as eleições presidenciais são muito importantes e como é importante que votem todos os eleitores, de todos os quadrantes".

O candidato andou logo pela manhã por Braga, numa visita ao mercado municipal, onde ouviu sobretudo queixas de que a vida está má, mas também o entusiástico apoio de uma vendedeira de bolos. "Eu antes até estava inclinada para votar Belém, mas como ela não tem hipóteses vou votar em si", disse-lhe a vendedeira Celeste, que desde o 25 de Abrril vota "sempre, sempre no PS".

O voto cigano

Foi também no mercado que se cruzou com o presidente da comunidade cigana, Miguel da Fonseca, que lhe garantiu 4000 votos de certezinha", tantos quantos os eleitores da sua comunidade.

Para Miguel da Fonseca, um homem alto de barba branca e gravata vistosa, Nóvoa "é um homem sério e isso vê-se logo pela cara, porque nos olha nos olhos".

Entre beijos e abraços e um convite para um pezinho de dança a que o professor se prestou sem grande graça, lá seguiu a caravana pelo mercado fora, sempre com um ensurdecedor barulho de fundo, para o que muito ajudava o pequeno quarteto de músicos.

A aula de Nóvoa

A paragem seguinte foi em Trofa. Visita à escola secundária. O silêncio era total, os alunos estavam em aulas, mas foi aí que o prof. Nóvoa brilhou. Entrou a meio de uma classe de filosofia do 10º ano. O tema era a realização de uma pirâmide de valores e os cerca de 20 alunos lá foram dizendo os que preferiam.

"A mim apetecia-me dizer coisas, mas não quero influenciar", começou por afirmar, mas os alunos não o pouparam nas perguntas e Nóvoa não se escusou.

"A política não é problema meu, porque ainda não voto", atirou o mais cético, que acabou cilindrado pelas colegas. "E o que vai fazer, e como nos garante que não são só palavras, e qual é a sua força para mudar, como pode ajudar os jovens, os que ficam e os que partem, e a crise económica, e os refugiados, e o aborto, a educação"?

As perguntas sucediam-se, o prof. Nóvoa estava no seu ambiente, levantando de vez em quando os calcanhares do chão, um tique que se percebe quando está entusiasmado.

Vê-se que aquele é o seu meio, mas ao fim de meia hora a equipa começa a dar sinais de impaciência, aquilo estava a correr bem, foi o melhor episódio de campanha da manhã mas... ali, ninguém vota.

"Percebem como tenho saudades de aulas?", rematou por fim o professor. O rumo a seguir foi uma sede de campanha e um almoço rápido em Felgueiras, uma curta passagem em Gondomar.

Dentro em pouco será a arruada em Santa Catarina, no Porto e, à noite, o comício com o general Eanes, o dirigente socialista do Porto Manuel Pizarro e a eurodeputrado Elisa Ferreira. O presidente do PS, Carlos César, também estará mas não falará no palco.