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Presidenciais 2016

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Um comício pequenino, mas com muitos beijinhos e “amor à terrinha”

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Leonor Beleza no dia em que MArcelo Rebelo de SOusa tomou posse como Presidente da República

Jose Carlos Carvalho

Leonor acredita que Marcelo fez uma boa campanha, Manuela acha que pode ficar tudo resolvido no domingo, Assunção diz que “foi bom esta campanha ser solitária”. As amigas foram dar um beijinho a Marcelo no seu único comício de Lisboa. Quem diz comício, diz reunião de amigos antes de apanhar o comboio

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

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Fotojornalista

A campanha de afetos de Marcelo Rebelo de Sousa foi levada à letra a um nível até aqui inédito ao final desta quarta-feira. Naquele que foi um dos comícios mais pequenos de que haverá memória em Lisboa, por parte de um candidato que lidera destacado as sondagens, Marcelo reuniu um grupo de amigos numa salinha dos fundos da Estação de Santa Apolónia, momentos antes de embarcar no Alfa rumo ao Porto.

Eram umas dezenas, pareciam conhecer-se todos, um único beijinho às senhoras, um aperto de mão com palmada nas costas aos senhores, um abracinho mais apertado para algumas amigas especiais, como Leonor Beleza ou Manuela Ferreira Leite. Para além da sempre discreta namorada, Rita Cabral, e do irmão, Pedro, lá estavam, do grupo restrito de amigos de sempre de Marcelo que continuam a ser seus conselheiros, João Amaral, cúmplice dos tempos do Semanário e atual presidente da APEL, e João Silveira Botelho, ex-chefe de gabinete de Leonor Beleza e atual administrador da Fundação Champalimaud. No meio de caras mais ou menos conhecidas, de Dias Ferreira a Carlos Barbosa, via-se também gente do PSD e do CDS (Assunção Esteves, Diogo Feio, Rodrigo Moita de Deus, e uma mão-cheia de atuais e ex-deputados).

E foi assim, neste ambiente familiar, que Marcelo vincou, mais uma vez, o caráter único desta sua campanha. Foi assim porque era suposto ser assim, explicou. "Do que se trata não é de, através de uma campanha espetacular, iludir questões essenciais. Do que se trata é, através de uma campanha simples, ir ao que é mais urgente". E o urgente, já Marcelo tem repetido vezes de sobra, é "o afeto", "a pacificação, redescobrir pontes, redescobrir convergências. O país não pode ficar dividido entre vários países políticos, económicos e sociais. O país precisa de se reencontrar, reunir, reaproximar".

José Carlos Carvalho

“O lugar mais solitário que existe”

Chegará esta mensagem para que a vantagem nas sondagens dê uma maioria absoluta já no domingo? Ninguém arrisca. "Se não houver uma grande abstenção acho que se resolve à primeira volta", diz ao Expresso Manuela Ferreira Leite. O "se" da abstenção é o grande "se". Marcelo devia ter dramatizado mais? "Acho que não, isto está feito, as pessoas vão votar ou não vão votar", responde a ex-líder do PSD. Assunção Esteves diz mesmo que "dramatizar mais neste momento não funciona para lado nenhum. O discurso político inteligente hoje é de paz e esperança, namoraria nada para dramatizar". Nesse sentido, acrescenta a ex-presidente do Parlamento, Marcelo "fez um percurso muito especial, foi bom ter feito esta campanha solitária". Apesar das dúvidas, Assunção Esteves aposta que no domingo o caso fica arrumado.

Leonor Beleza é mais cautelosa no prognóstico ("depende das pessoas irem votar" - a abstenção, sempre a dúvida...), mas aplaude a estratégia do amigo Marcelo.

"Tenho a certeza que foi uma boa campanha", diz ao Expresso. Porquê? Porque está em causa escolher uma pessoa, conhecer os candidatos e perceber as diferenças entre eles. "O lugar de Presidente da República é o lugar mais solitário que existe no sistema político português, é bom que as pessoas tenham noção disso. Por isso fez sentido esta campanha de uma pessoa que vai para lá e pensa pela sua cabeça, com a sua história e experiência".

José Carlos Carvalho

“O amor à terrinha”

Tirando o momento em que chamou ao palco alguns dos seus mandatários distritais, Marcelo lá estava, na Estação de Santa Apolónia, sozinho no palco, à frente da sua "campanha inorgânica", de "contacto pessoal", sem as "massas tradicionais" arregimentadas pelos partidos. E explicou porquê: "Dia 24 não vão votar partidos nem facões, mas pessoas de carne e osso".

"As eleições presidenciais não são eleições legislativas, não são nem segunda, nem terceira, nem quarta volta de nenhumas outras eleições. Não se mede pelo número de manifestações organizadas, mas pelo número de almas confiantes, mobilizadas num compromisso que passa por cima de partidos, de parceiros económicos e sociais".

É essa "relação direta com o povo português" que Marcelo quer estabelecer, "acima de protagonistas partidários e económicos". Olhos nos olhos, com afeto e beijinhos. Apesar disso, o momento de maior frisson da sessão não podia ter sido mais distante nem mais virtual: foi quando apareceu num ecrã a imagem de uma vedeta global: José Mourinho, the special one, num vídeo a defender o voto em Marcelo, "um vencedor". Mourinho, o emigrante, o que fez mais sentido sendo o comício na estação de comboios que viu partir vagas de emigração. Mourinho que, apesar de estar lá longe e ser bem sucedido, não terá perdido aquela portugalidade que Marcelo definiu como "o amor que temos à nossa terrinha, à nossa casa na nossa terrinha". Com muito afeto, pois claro.

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