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Presidenciais 2016

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“Marcelo já negou nesta campanha mais vezes Pedro do que Pedro negou Cristo”

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Tiago Miranda

Sampaio da Nóvoa falou esta quarta-feira em Santa Maria da Feira. O convidado da noite foi Carvalho da Silva, que apontou o candidato como o melhor para defender a atual política de pequenos passos do Governo

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Tiago Miranda

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Já não há mais ministros na campanha de Sampaio da Nóvoa, mas houve Manuel Carvalho da Silva, o ex-secretário geral da CGTP e "coordenador das causas" da sua candidatura. Foi na noite desta quarta-feira, em Santa Maria da Feira, num jantar-comício que reuniu cerca de 400 pessoas, tendo desferido não poucos ataques a Marcelo Rebelo de Sousa, porque um Presidente "é eleito para fazer política ao mais alto nível, e não entretenimento".

"Os problemas das pessoas não se resolvem com afeto, nem porreirismos, nem palmadinhas das costas", disse o antigo sindicalista, para quem os portugueses ainda vivem sob os efeitos do choque da política dos últimos anos, "dos tempos de massacre".

E Marcelo, segundo disse é "um mestre da dissimulação, o mais exímio construtor de trapaças, através de umas pinceladas iniciais de verdade", afirmou ainda Carvalho da Silva, que quis deixar quatro notas.

Consolidar pequenos passos de Costa

A primeira, referiu, tem a ver com a "política de pequenos passos corajosos de equidade e justiça", os quais, segundo disse, são "geradores de confiança". Para mobilizar os portugueses, disse, é preciso um 'guiador', alguém que faça pontes "e que tem que vir da parte limpa da sociedade".

A segunda diz respeito às negociações com a União Europeia, "um espartilho no qual é muito difícil a movimentação". Nesse aspeto também, afirmou, é preciso alguém que construa uma posição coerente". E acrescentou: "a equipa da troika já está aí com receituários das porradas, dos castigos, não se pode abdicar da dignidade mínima".

Tiago Miranda

A terceira nota de Carvalho da Silva - e para a qual reclamou também a ajuda de um "Presidente capaz" - foi a necessidade de mobilização do povo para que as políticas radicais não se tornem "a normalidade". E a quarta foi a defesa da dignidade do trabalho.

Acordem quem falta acordar

"Sou um defensor intransigente dos serviço público", reiterou por sua vez Sampaio da Nóvoa, que recordou que foi em Aveiro que começou a sua vida como professor e que aprendeu a importância da escola pública.

"Serei particularmente vigilante face a cedências, a interesses estranhos, ao interesse estratégico nacional, seja em matéria de assuntos europeus, seja em matéria de alienação de setores estratégicos económicos", disse ainda, numa espécie de aviso.

Sampaio da Nóvoa confessou que tem sido difícil fazer esta campanha e "manter o rumo sobretudo quando um dos candidatos faz tudo o que pode para não se comprometer".

Tudo o que disse acabou por desdizer-se, afirmou, "na ânsia de se afastar dos partidos pelos quais ainda há três meses fazia campanha, Marcelo já negou nesta campanha mais vezes Pedro do que Pedro negou Cristo", rematou.

A dois dias do fim da campanha, pediu ainda que todos deem tudo por tudo para ganhar. "Está na hora de votar, de nos animar em torno de um país de futuro, animem quem falta animar, acordem quem falta acordar".