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Catarina Martins: “Portugal não pode ser o bom aluno das más políticas”

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Na feira de Famalicão, onde esteve ao lado de Marisa Matias, a líder do Bloco de Esquerda deixou um aviso a Costa (sem nunca o nomear) sobre eventuais cedências às imposições de Bruxelas na elaboração do OE: “A nenhum dos partidos que fizeram este acordo passa pela cabeça que o Governo ponha em causa o que firmou”

Um dia depois de Jerónimo de Sousa ter enviado sinais claros a António Costa sobre a necessidade de o Governo seguir à risca o conteúdo dos acordos assinados entre o PS e os outros partidos de esquerda (e devido a isso, dever recusar intromissões de Bruxelas na elaboração do Orçamento de Estado deste ano), foi a vez de Catarina Martins, a porta-voz do BE, enviar um recado ao primeiro-ministro: “Todas as pessoas que votaram nos partidos que fizeram este acordo, e que fazem parte desta nova solução de Governo, fizeram-no para que o nosso país tivesse uma nova relação com a Comissão Europeia e que não tivesse mais políticas de austeridade” e possa “parar o empobrecimento”, afirmou ao final da manhã desta quarta-feira Catarina Martins.

As declarações foram feitas no final de uma visita de Marisa Matias à Famalicão, na qual a líder do Bloco esteve presente, assim como Francisco Louçã, o primeiro coordenador do partido e um dos seus fundadores.

“Todas as forças políticas (que assinaram os acordos) sabiam que o caminho seria difícil e que não iria propriamente agradar à União Europeia”, disse Catarina Martins. Antes lembrara que de “forma diversa e nos últimos dias têm chegado recados da Comissão Europeia e da troika a dizer que Portugal deve seguir outro caminho”.

Embora toda a argumentação de Catarina Martins tenha visado explicitamente os interlocutores externos, é impossível não ler nas declarações da líder do BE um destinatário interno: António Costa.

Para Catarina Martins, “é preciso ser absolutamente firme e dizer que não há recado nenhum que venha de algum lado que possa pôr em causa o acordo que foi firmado para parar o empobrecimento em Portugal, e que o Orçamento de 2016 será naturalmente o espelho desse acordo.”

Aludindo novamente às instituições europeias, e sobre metas orçamentais defendidas por Bruxelas, diferentes das pretendidas pelo Governo português, a líder do Bloco usou a ironia: “Eventualmente, alguém na Comissão Europeia não compreendeu que em Portugal houve eleições, que as pessoas escolheram e escolheram fazer diferente do que foi PSD e CDS.”

Recuperando uma expressão “fétiche” de Cavaco Silva enquanto primeiro-ministro – o culto de Portugal como o “bom aluno” da Europa -, Catarina Martins sintetizou numa frase o entendimento do Bloco para a relação do Governo de Lisboa deve ter com Bruxelas e Berlim:“ (Portugal) Não tem que ser o bom aluno das más políticas”.

Interrogado pelos jornalistas se o alvo das suas declarações era o primeiro-ministro, Catarina Martins não confirmou nem desmentiu: “A nenhum dos partidos que fizeram o acordo passa pela cabeça que o Governo ponha em causa o que firmou. Isso não tem nenhum sentido”.

A líder do Bloco recordou ainda que tem havido, sobre o OE de 2015, contactos com os Governo e os restantes partidos subscritores do acordo, para de seguida salientar que “na política os compromissos são para valer”.