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Presidenciais 2016

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O único “defeito” da “menina” é ser nova e verdadeira

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Nuno Botelho

Marisa Matias passou por Espinho e ouviu incentivos (“É em si que eu vou votar. Já votei na outra menina. Era Catarina, não era?”) e desabafos (“Uma mulher a ‘presidenciar’ o nosso país era muito bom, o Coelho já foi para a toca - não se mentaliza, mas já foi”)

No dia em que Maria de Lourdes Pintasilgo faria 86 anos, a candidata presidencial Marisa Matias recebeu promessas de votos de feirantes e compradores da Feira de Espinho, que dizem que o único "defeito" da "menina" é ser nova e verdadeira.

Abraços, beijos e mais beijos, sorrisos, palavras de incentivo, "boa sorte" e garantias de votos encheram esta segunda-feira os sacos de compras de Marisa Matias na visita à Feira de Espinho, distrito de Aveiro, um lugar carismático e de passagem obrigatória das caravanas eleitorais.

O fator mulher falou mais alto e muitas foram aquelas que se aproximaram da candidata apoiada pelo BE para a incentivar a continuar a defender a causa feminina: "Uma mulher a 'presidenciar' o nosso país era muito bom. O Coelho já foi para a toca. Não se mentaliza, mas já foi".

Foi aliás uma senhora que, muito baixinho, lhe falou de Maria de Lourdes Pintasilgo, uma mulher que "só governou 100 dias Portugal mas foi maravilhosa".

Marisa Matias aproveitou para recordar que hoje a única mulher que ocupou a chefia do Governo faria anos, tendo depois dito aos jornalistas que "uma das grandes desvantagens é só haver ainda duas mulheres a concorrer ao fim deste tempo todo".

"Hoje é o dia de aniversário de Maria de Lourdes Pintassilgo, a outra única mulher que concorreu à Presidência da República. A desvantagem que nós temos é de ainda termos que fazer um caminho tão grande para que as mulheres tenham a mesma oportunidade do que os homens", enfatizou, considerando que "há muitas pessoas que veem a necessidade de ser representadas por mulheres, coisa que nunca viram neste cargo na democracia em Portugal".

Uma vendedora de panos de cozinha repetiu os desejos de boa sorte de tantas outras com pessoas com que a eurodeputada se cruzou, e deixou uma promessa: "É em si que eu vou votar. Já votei na outra menina. Era Catarina, não era? Gostava muito de a ouvir falar. E ontem estive a ouvir a menina e gosto muito de a ouvir falar".

De uma vendedora de fruta com a capacidade de oratória de uma política, Marisa Matias recebeu ainda cerejas e quando lhe pediu "uma para cada um para distribuir" pelos jornalistas e apoiantes que acompanhavam ouviu: "Credo, nossa senhora. Você também não é pobre a pedir. Valha-nos os anjinhos".

Maria Angelina abordou a concorrente a Belém para lhe manifestar apoio, mas vaticinou a derrota porque Marisa "é muito jovem para o cargo que eles querem" e por isso "as pessoas não confiam muito na menina", que considera ser "boa política, boa falante, uma grande mulher e uma boa revolucionária".

"Não vai ganhar nestas, mas vai ganhar nas próximas, porque é muito jovem, só por isso. Pela idade vai-lhe faltar um bocadinho de votos", disse.

A caravana prosseguiu e até reencontrou um homem de 63 anos que na campanha para as europeias de 2014 - nas quais Marisa tinha sido cabeça de lista do BE - já tinha estado com a candidata na mesma feira.

"Você não sabe mentir", disse outro comprador a Marisa Matias, que confidenciou à concorrente presidencial que preferia que ganhasse as eleições do que dissesse tantas verdades. "Foi uma sondagem que a converter-se em votos seria uma votação muito elevada. Fui muito bem recebida e as pessoas sabem aqui quem é que as defende quando é preciso e quem é que pode ajudar a continuar a melhorar a vida dela", disse no final a candidata aos jornalistas.

Marisa Matias lamentou ainda "o retrato do país que não queremos", relatando a história "inacreditável e inadmissível em qualquer democracia" de uma senhora que, com 85 anos, ainda tem que sustentar três dos 15 filhos.