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“Somos todos soldados rasos”, diz Sampaio da Nóvoa

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Tiago Miranda

No almoço-comício que reuniu em Lisboa 1600 pessoas, o candidato presidencial dramatizou o discurso, atacou Marcelo Rebelo de Sousa e garantiu que "está nisto para ganhar"

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Tiago Miranda

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Fotojornalista

A estrela do comício devia ter sido Jorge Sampaio e estava tudo preparado para isso. Mas surgiu afinal fazendo um depoimento em vídeo, gravado à ultima hora, impedido de sair de casa por imperativo médico. Esteve presente Ramalho Eanes, um dos outros ex-Presidentes que apoia Sampaio da Nóvoa.

O recinto do Pavilhão do Casal Vistoso encheu como estava previsto - 1600 pessoas à mesa e nas bancadas, porque o almoço não chegou para todos. E levantaram-se em peso para aplaudir as últimas palavras do candidato: "o futuro passa pelo dia 24, que ninguém se engane, se iluda, ou esteja distraído".

Foi o único comício em Lisboa de Sampaio da Nóvoa, onde deputados e dirigentes do PS, bem como inúmeras personalidades marcaram presença. Até a própria mulher do candidato e um dos filhos, até agora ausentes da campanha.

No púlpito, falaram a mandatária nacional, a cantora Teresa Salgueiro e o ministro (o quarto) Adalberto Campos Fernandes (Saúde). Mas a dramatização do discurso coube mesmo ao candidato, que desferiu um ataque até agora inédito ao rival Marcelo Rebelo de Sousa, nomeado sempre como "o candidato".

Ataque a Marcelo

Tiago Miranda

O ataque começou logo a propósito da ausência de preocupação "desse candidato" sobre o facto de haver "dois países - um dos mesmos rostos de sempre que se perpetuam na política e no poder mediático, e o de todos aqueles que, independentemente do que deram à causa pública, se deveriam limitar, ouvi-o dizer, à condição de soldados rasos".

"Mas soldados rasos somos nós todos, porque isso é que é a República de todos iguais, e não de castas ou de clubes fechados", insistiu Sampaio da Nóvoa, perante uma assembleia já então muito entusiasmada.

"Será que não percebem que foi contra esta exclusão que a nossa democracia nasceu e que tem de haver um Portugal de todos iguais, de esquerda, do centro, ou de direita, do norte ou do sul, das ilhas ou das comunidades da diáspora", indagou ainda, reafirmando que por isso quer ser um "Presidente-Cidadão ou um cidadão-Presidente"

E voltou a investir: "quando se diz que um cidadão não pode ser presidente sem ser pelos canais da política tradicional, não é a mim que pretendem excluir, mas todos aqueles que não fazem parte dos mesmos rostos de sempre. Numa República não há entronizados à partida, nem príncipes herdeiros nem ungidos pela fama".

Mas Sampaio da Nóvoa ainda haveria de desferir um derradeiro ataque a Marcelo, a propósito da maneira como ele faz campanha ("preocupante para a democracia", porque "agora não tem ideias e se esconde atrás de afetos) e da sua posição defendendo políticas polémicas na educação. "Sei do que falo porque estive a trabalhar em Belém (quando era assessor de Jorge Sampaio) e não a comer vichyssoise nem sopas frias".

PR não é um árbitro sem opiniões

O ex-reitor haveria ainda de falar sobre a maneira como vê o cargo, "que não é irrelevante" e "não é indiferente quando é preciso defender a Constituição", tema com o qual, aliás, iniciou o seu discurso, citando o artigo primeiro sobre uma sociedade mais "justa, livre e solidária".

"As opiniões de um Presidente contam para moderar o sistema político - um árbitro sem opiniões fica nas mãos de quem tem poder e tudo decide", rematou, prometendo ser um Presidente próximo do povo e sabendo decidir em cada momento com independência. Para o ex-reitor, nada está decidido, "a vitória está ao nosso alcance a 24 e, se não for, a 14 de fevereiro".

Sampaio: alheamento e indiferença são um risco

Maria Antónia Palla, mãe do primeiro-ministro António Costa

Maria Antónia Palla, mãe do primeiro-ministro António Costa

Tiago Miranda

Por sua vez, o ex-presidente da República Jorge Sampaio chamou a atenção, no seu depoimento, para o facto de um PR "dever poder desempenhar um papel de aproximação permanente dos cidadãos ao sistema político democrático" e alertou para a tendência de alheamento e indiferença, que considerou serem "riscos que ameaçam a democracia e perigos que espreitam a própria liberdade".

"A indiferença não se reflete apenas nos níveis elevados de abstenção eleitoral, que corroem a legitimidade das instituições republicanas", disse o ex-Presidente, para quem o Estado é "demasiado vulnerável face aos interesses burocráticos, corporativos e clientelares instalados". Daí a importância de um Presidente - afirmou - considerando que Sampaio da Nóvoa é o melhor colocado para desempenhar esse cargo.

O comício reuniu inúmeras personalidades, entre as quais Eduardo Lourenço, Edmundo Pedro, Jorge Miranda, Maria Antónia Palla (mãe de António Costa), deputados como Bacelar de Vasconcelos (e membro do secretariado do PS), Edite Estrela, Isabel Moreira, Inês de Medeiros ou Jorge Lacão, Vasco Lourenço, Carvalho da Silva, Rui Tavares e Daniel Oliveira, Bruto da Costa, Carlos Monjardino, João Ferreira do Amaral e muitos outros.