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Presidenciais 2016

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Passos esteve a 5 km de Marcelo mas não se viram: “É a vida”

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José Carlos Carvalho

Este foi o dia em que o PSD se colou a Marcelo e Marcelo se reafirmou autónomo do PSD. O partido de S. João da Madeira entrou-lhe na campanha e Passos disse esperar dele um PR que ajude este Governo e "um outro". Mas Marcelo prefere que Costa "cumpra a legislatura".

Foram 24 horas de gestão difícil entre o PSD e o candidato independente. Afinal, as eleições autárquicas em S. João da Madeira entraram na campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa e o professor teve que se reafirmar autónomo. Tão autónomo que voltou a afastar a ideia de legislativas antecipadas: "Eu sempre disse que espero que a legislatura (de António Costa) se cumpra".

Foi neste contexto, que Marcelo e Passos Coelho estiveram a 5 quilómetros de distância um do outro sem se verem. Passos foi sábado à noite a S. João da Madeira à campanha do autarca do PSD que vai a votos no domingo. E Marcelo estava ali ao lado, em Espinho, na (sua) campanha ao largo dos partidos. Ambos cumpriram o guião. "É a vida!", comentou Marcelo, hoje de manhã, antes de ir à missa.

O PSD local não lhe facilitou a vida. Ricardo Figueiredo, o autarca que vai a votos no mesmo dia que ele, apareceu em Santa Maria da Feira na campanha do professor, acompanhou-o na arruada e colou-se literalmente a ele, frdnte às câmaras da TV.

"Ontem, no (meu) comício em S. João da Madeira, estiveram mais de mil pessoas e toda a gente lhe bateu muitas palmas, professor". Marcelo, que sempre quis descolar as duas coisas e até justificou a ausência de Passos da sua campanha presidencial com o envolvimento partidário que iria ter na de S. João da Madeira, viu-se obrigado a cumprir os mínimos: "Pois é, e as eleições são no mesmo dia e tudo, Já agora, desejo-lhe também um grande dia".

Na véspera, no comício do autarca, Passos tinha feito um empenhado apelo ao voto no candidato "independente" Marcelo Rebelo de Sousa. Defendeu o seu modelo de campanha - "independência e autonomia" - e Marcelo registou "a reafirmação da recomendação que a direção do PSD já tinha feito".

Só que Passos também disse esperar um Presidente que possa "colaborar com o Governo que está em funções ou com outro que os portugueses venham a escolher quando acharem que é tempode mudar de Governo". E Marcelo, para já, não quer ouvir falar de eleições antecipadas. Repete, aliás, "sempre ter dito esperar que esta legislatura se cumpra e não estar com a ideia em eleições".

"Cabe a um PR independente exercer o seu mandato acima dos partidos, e até o meu partido tem que perceber isso. Umas vezes isso agrada, outras não. É a vida!", afirmou na arruada na Feira, onde viu fabricar fugaças, o bolo típico da terra. Hermínio Loureiro, autarca do partido em Oliveira de Azemeis, reconhece que o PSD teve que se adaptar a esta campanha diferente, mas cobre a parada do professor: "O importante é criar condições para ele ser eleito à primeira volta".

Domingo é dia de missa e Marcelo Rebelo de Sousa faz um desvio para ir à Igreja dos Passionistas. "Já no fim de semana passado faltei. Hoje tenho que ir à missa".

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    Passos Coelho disse e repetiu que não iria meter-se na campanha. Marcelo usou o mesmo argumento dizendo que o líder do PSD tinha eleições autárquicas em São João da Madeira. Mas sábado à noite, Passos Coelho não resistiu a pedir que os portugueses votem Marcelo. E espera que ele ajude, este Governo e o próximo ...