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Presidenciais 2016

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Jerónimo aproveita campanha para balanço de acordo com o PS

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Nuno Botelho

O comício foi de Edgar Silva e da candidatura presidencial, mas a mensagem política principal foi transmitida por Jerónimo de Sousa. O líder comunista registou os "passos significativos" conseguidos com o compromisso assumido com o PS, mas deixou avisos: "algumas medidas não foram tão longe quanto o PCP pretendia" e "o caminho que se abriu não é fácil e não está isento de percalços"

A antiga Feira das Indústrias, na Junqueira, estava cheia. Seis mil presenças, segundo a organização, uma "impressionante moldura humana" e "um grande comício", de acordo com Jerónimo de Sousa. A única iniciativa prevista para este domingo na agenda da campanha eleitoral de Edgar Silva correu bem. E com a ajuda do líder comunista, o discurso político do dia acabou por ser virado mais para a questão da governação política do que para a meta do próximo domingo de eleições presidenciais.

Jerónimo de Sousa aproveitou o palco para fazer o balanço da "solução conjunta" que comunistas e socialistas assinaram no Parlamento, dando luz verde para a formação do governo de António Costa. O pretexto foram os cem dias que passaram sobre a data das eleições Legislativas. A oportunidade de passar a mensagem aos milhares de militantes - e aos media presentes em força- não podia ser desperdiçada. E não foi.

O secretário geral do PCP não tem dúvidas de que "é já possível ver os caminhos de avanços que se vai fazendo com o PCP e com a luta dos trabalhadores". Para que não restem dúvidas, elencou as conquistas alcançadas nos primeiros dias de Governo: desde a reversão das concessões nos transportes urbanos (que motivou palmas na sala), à "aceleração da devolução da sobretaxa do IRS", passando pelos devolução "dos feridos roubados, pondo fim ao trabalho à borla" ou à reposição "do direito das mulheres à IVG sem pressões nem constrangimentos".

O líder comunista pôs ainda no mesmo rol de avanços das reivindicações do PCP, o aumento do salário mínimo para 530 euros, mas sublinhou como o valor alcançado é "insuficiente" registando para memória futura como "o PCP sempre defendeu e continua a defender" que a meta será sempre os 600 euros mensais. A mesma nuance foi sublinhada sobre a devolução dos salários da função pública. A solução alcançada foi de uma reposição gradual dos vencimentos, quando os comunistas reclamavam a devolução integral dos cortes já a partir de janeiro. "Só não é assim porque o PS se uniu ao PSD e ao CDS e o Bloco de Esquerda se absteve", recordou Jerónimo de Sousa, não perdendo a oportunidade para sublinhar as diferenças com os seus parceiros políticos.

O balanço parece, apesar de tudo, ser positivo. "Estamos num caminho de avanços que importa consolidar", afirmou, pondo já os olhos na reposição do horário das 35 horas na Administração Pública e no pagamento dos complementos de reforma aos trabalhadores das empresas públicas, onde "estão a ser dados passos". No entanto, nem tudo são rosas. "Sabemos que o caminho que se abriu não é fácil e não está isento de percalços", disse Jerónimo de Sousa. Por enquanto, as acusações vão para fora, para "os comentários trafulhas e mentirosos" que "intrigam porque o PCP tem propostas próprias".

O adversário não tem nome, nem rosto. Jerónimo puxa dos galões do partido e garante: "quem nos conhece sabe que não vendemos gato por lebre". "Exigir a reposição do que foi roubado não é apenas legítimo, é uma obrigação"

Edgar: "É possível derrotar Marcelo"

O líder comunista cedeu o palco a Edgar Silva, que mais uma vez se reclamou como o único candidato "de Abril e dos direitos dos trabalhadores e do povo do nosso país". As bandeiras da justiça social, do combate às desigualdades e da defesa intransigente da Constituição são o prato forte do candidato que ganha lastro no terreno e que parte confiante para a última semana de campanha eleitoral.

A organização comunista e Edgar Silva parecem cada vez mais confiantes na possibilidade de forçar uma segunda volta presidencial e o candidato faz questão de afirmar essa confiança. "Nada está decidido. É possível derrotar Marcelo Rebelo de Sousa e toda a estratégia da direita", disse e repetiu ao longo do seu discurso.

O esforço agora é o de mobilização. Edgar Silva está consciente que fala para uma sala cheia, mas de convertidos à sua causa e ao voto indicado pelo PCP. Agora, "é preciso mais", diz desafiando os presentes a encontrarem um "vizinho, um colega" para o mobilizar para o voto. "É necessária uma tarefa militante e passar ao atrevimento", chegou mesmo a dizer. O objetivo "é trazer muitos outros" e "que ninguém falte à chamada". No dia 24 se verá.